Família é família

iG Minas Gerais |

souzza rodrigo
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Algumas pessoas podem fechar os olhos, mas as chamadas “novas famílias” existem e fazem, cada vez mais, parte da realidade brasileira. Algumas, para desespero dos mais conservadores, amparadas não apenas pelo afeto, mas pela Justiça. E se alguém tem dúvida, basta dar uma olhada na série de TV “Família É Família”, dirigida pelo documentarista João Jardim, no canal GNT. Lá, semanalmente, Jardim revela histórias emocionantes de núcleos familiares formados das mais diversas formas. Há o caso do casal gay masculino que lançou mão da barriga de aluguel para ter filhos e conseguiu na Justiça que os filhos tivessem na certidão de nascimento os nomes dos dois pais, ou a do casal homossexual feminino que gerou filhos por meio de banco de esperma. Mas há outras famílias, nascidas da vontade de uma mulher solteira de adotar uma criança ou de um homem que cuida sozinho dos filhos após a separação. E quem há de negar que são famílias, quando o que importa, que é a relação de amor, confiança e intimidade existentes entre aquelas pessoas, se escancara? Daí a importância da enquete sobre o conceito de núcleo familiar que está rolando na Câmara dos Deputados. Segundo o Projeto de Lei 6583/13, do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que cria o Estatuto da Família, na Câmara dos Deputados, família é formada a partir da união entre homem e mulher. Como o Estatuto da Família tem o objetivo de apresentar diretrizes de políticas públicas voltadas para a entidade familiar e obriga o poder público a garantir as condições mínimas para a “sobrevivência” desse núcleo, outro deputado, Ricardo Berzoini (PT-SP), divulgou a enquete nas redes sociais, mostrando que o PL, da forma como está escrito, estabelece restrições às políticas públicas para as famílias homoafetivas. Com a pergunta “Você concorda com a definição de família como núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, prevista no projeto que cria o Estatuto da Família?”, a pesquisa, até ontem à tarde, registrava 50, 61% para não e 49, 08% para sim. O resultado, ainda parcial, revela um acirramento entre um grupo que se nega a aceitar os novos arranjos familiares que estão aí, baseado sempre em argumentos religiosos, e outro, que vê a família sob um conceito mais amplo, o da igualdade de direitos. Opinião cada um tem a sua, o que não é aceitável é que a “verdade” de um grupo prive milhares de pessoas dos seus direitos. 

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