Quarteto forte na economia para recuperar a credibilidade perdida

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DUKE
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Sabotados por setores do PT, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula travam uma luta interna para impor os nomes de Joaquim Levy e Nelson Barbosa no comando da equipe econômica. A resistência é grande, e há vários motivos: preconceito, medo e ideologia. Levy não goza da simpatia nem do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, nem do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Parte do PT teme que a ortodoxia de Levy termine contaminando todo o governo. Outros temem o futuro. Caso Levy funcione bem, Dilma se transformará em uma poderosa eleitora e dependerá pouco da máquina do partido. Caso Levy não funcione bem, o PT naufragará junto com Dilma. Considerando a situação do país, não há muito o que fazer de diferente. Dilma terá de “peitar” o partido e seus aliados de ideias heterodoxas e ficar com a dupla Levy-Barbosa. Fracassando na economia, o governo pode viver momentos de grande instabilidade, mas as mudanças são essenciais para manter o status quo. Mais ou menos na linha do que preconizou o príncipe de Falconeri, personagem do extraordinário escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Levy e Barbosa vêm de extratos econômicos diferentes. Levy é mais “clássico” e ortodoxo. Barbosa é mais heterodoxo. Mas ambos têm um ponto em comum: a certeza de que o Brasil precisa recuperar a credibilidade econômica por meio de políticas fiscal, monetária e cambial sólidas. Apesar do aparente retrocesso com a recusa de Luiz Trabuco para a Fazenda, a possível ida de Joaquim Levy para a pasta compensa em muito. As informações vazadas de que Dilma pretende indicar um quarteto forte para pastas economicamente importantes revelam que o governo corre atrás do tempo perdido. É um bom sinal que ficou evidenciado no comportamento da Bolsa no fim da semana passada. A eventual escolha de dois presidentes de confederações empresariais – Armando Monteiro, ex-presidente da CNI, e Kátia Abreu, presidente da CNA – mostra que Dilma intenciona reforçar seu diálogo com o setor. Outra boa iniciativa para recuperar a credibilidade. No caso de Kátia Abreu, existe uma tarefa adicional, que é compor a indicação com o PMDB, que se sentiu “by passado” pelo vazamento das intenções de Dilma. Coisas do protocolo da política que não são bem observadas nos tempos atuais. De acordo com informações da imprensa, por conta da indicação, o partido estaria disposto a votar contra o projeto que altera a meta fiscal na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014. A presidente Dilma também recebeu pedidos da esquerda do PT e de representantes dos movimentos sociais para recuar no convite feito à senadora. Dilma sabe que uma imensa tempestade está se armando com o avanço das investigações em torno do petrolão. Recuperar a credibilidade econômica é uma obrigação para dar estabilidade a seu mandato. É certo afirmar que, na semana passada, Dilma e seu governo passaram a emitir sinais de maior pragmatismo e que Lula vem desempenhando papel fundamental para estabilizar as expectativas. Consolidando-se essa nova direção, a presidente não apenas se respalda para as turbulências da política como cria condições para um período econômico melhor. E, para ficar melhor ainda, Dilma deve ser muito clara no sentido de dar autonomia ao novo ministro. O Brasil necessita ter uma equipe econômica tecnicamente confiável e com espaço para trabalhar.

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