Ranking coloca BH e região no 4° lugar em qualidade de vida

São Paulo, Distrito Federal e Curitiba são campeões em pesquisa; mineiros ganharam uma posição em dez anos

iG Minas Gerais | Cinthia Ramalho / Johnatan Castro |


São João das Missões foi a cidade mineira com menor índice de desenvolvimento
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
São João das Missões foi a cidade mineira com menor índice de desenvolvimento

A região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) tem o quarto melhor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país, atrás de São Paulo (SP), Distrito Federal e Curitiba (PR). O resultado está no Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, divulgado nesta terça pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pela Fundação João Pinheiro. O IDHM leva em consideração indicadores de renda, educação e longevidade e compara os anos de 2000 e 2010. Na região metropolitana da capital mineira, o índice saltou de 0,682 para 0,774 em dez anos, fazendo o entorno de Belo Horizonte ganhar uma posição no ranking nacional. Quanto mais próximo de um, melhor o índice.

Fernando Prates, pesquisador da Fundação João Pinheiro, explica que, apesar de a região metropolitana ter melhorado o IDHM geral, o bom desempenho não se repetiu quando os índices foram avaliados por temas e comparados com outros locais. Entre os anos de 2000 e 2010, a região metropolitana da capital se manteve estagnada nos quesitos renda e longevidade. Já na educação, caiu de quinto para sétimo lugar. Quando os dados são avaliados individualmente, o IDHM cresceu em todos os itens da região metropolitana. No tópico educação, o índice saltou de 0,549 para 0,694. Em longevidade, ele foi de 0,784 para 0,849. Já em renda, o IDHM passou de 0,737 para 0,788. Cidades. O atlas também avaliou o IDHM de cada um dos 853 municípios do Estado. Nesse quesito, a capital não acompanhou a melhora de sua região metropolitana. Belo Horizonte (0,810) perdeu a liderança do melhor índice de desenvolvimento para a vizinha Nova Lima (0,813). “Na divisão de educação, BH está muito mal-situada. Isso porque o índice é um estoque de pessoas com baixa escolaridade, com idades acima dos 50 anos, e que não tiveram acesso a escola”, completou o pesquisador. Ainda conforme Prates, a população de Belo Horizonte vem crescendo pouco. “E a que mais tem crescido é a do entorno da capital. Esses dados são um retrato que tenta localizar as carências da região e do Brasil”. No fim do ranking estadual, está o município de São João das Missões, no Norte de Minas, com o pior IDHM do Estado – 0,529. Segundo Prates, o crescimento nos índices gerais, mas a queda nos quesitos por tema se deve em parte a uma mudança de metodologia. “Agora, o IDHM é calculado a partir de uma média geométrica dos três temas, e não mais por uma média aritmética, o que acaba valorizando um crescimento igual nas três dimensões”.

Pobreza cai 64% em BH O percentual de pessoas pobres em Belo Horizonte caiu 64% nos últimos dez anos, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano. Entre as capitais do Sudeste, a mineira registrou a segunda maior queda, atrás apenas de Vitória (ES), onde a redução foi de 65,92% no mesmo período. O estudo considera pobre a pessoa com renda domiciliar per capita entre R$ 70 e R$ 140 mensais (valores de agosto de 2010).

Santa Luzia tem piores resultados O Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras também avaliou, em todo o Brasil, as chamadas Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs) – áreas heterogêneas e semelhantes a bairros. Em Minas, os valores mais baixos de IDHM foram encontrados em UDHs localizadas no município de Santa Luzia. Procurada nesta terça, a prefeitura da cidade informou que vai analisar o estudo antes de se posicionar.

Moradores relatam problemas A pedagoga Patrícia Pessoa, 34, mora em Santa Luzia há 28 anos. Segundo ela, uma das explicações para que a região apresente um IDHM ruim é a falta de políticas voltadas para a qualidade de vida da população. “Eu vivo em uma região de risco, onde existem pessoas que têm que ser ajudadas pela própria comunidade. Não temos uma política voltada para os idosos ou os jovens. A evasão escolar também é muito grande em nossa região”.

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