Jogadores do vôlei também se dividem entre Atlético e Cruzeiro

Atletas das quadras mostram sua paixão pelos dois maiores clubes de Belo Horizonte, que disputam título da Copa do Brasil nesta quinta-feira

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Suelen postou fotos nas redes sociais mostrando seu lado azul
Reprodução
Suelen postou fotos nas redes sociais mostrando seu lado azul

A rivalidade entre Cruzeiro e Atlético, que atinge nesta quarta-feira um dos seus momentos mais marcantes, também chega às quadras de vôlei. Não são poucos os atletas da modalidade que têm em um dos times mineiros uma de seus paixões quando o assunto é futebol.

Assim como milhares de torcedores espalhados pelo país, eles estarão atentos à segunda partida da final da Copa do Brasil, que irá decidir o campeão do torneio. Enquanto o Atlético busca um título inédito, o Cruzeiro vai atrás da quinta conquista.

Muito mais do que jogar com a camisa do Sada Cruzeiro, o ponta Filipe tem no time das cinco estrelas a sua preferência por clubes de futebol. "Sou nascido e criado em Joaíma, no Vale do Jequitinhonha e o pessoal de lá sempre teve maior preferência por times do Rio de Janeiro. Minha família é flamenguista, mas tomei gosto pelo Cruzeiro assim que vim para Belo Horizonte, aos 13 anos. Meu pai conhecia muita gente relacionada ao clube e comecei a acompanhar mais de perto e a frequentar os jogos também", lembra Filipe, um dos ídolos da torcida celeste dentro das quadras.

Uma das pessoas que contribuíram para seu maior apreço pelo time azul foi seu procurador. "Ele sempre me convidava para ir aos jogos no Mineirão e a gente se divertia muito. Essas experiências fizeram com que eu criasse uma paixão ainda maior pelo clube. Hoje me sinto feliz por não ser somente um torcedor, mas por jogar no time que amo", declara o jogador.

Apesar de não esconder o seu lado, Filipe deixa claro que consegue se controlar. "Tenho um perfil um pouco diferente de muitas pessoas que vejo por aí. Sou um torcedor saudável", brinca.

Além dele, alguns outros jogadores de vôlei que têm o Cruzeiro como clube do coração são o central Douglas Cordeiro, também do Sada Cruzeiro e a líbero Suellen, do Sesi-SP. A defensora é mineira de origem e já defendeu clubes do Estado como Minas Tênis Clube e Mackenzie. No jogo contra o Santos e no duelo contra o Goiás, ela fez questão de marcar presença no estádio para ver o time vencer seus compromissos.

Companheiros de time de Filipe, como membros da comissão técnica, além de outros atletas, costumam postar fotos em redes sociais, tanto no Mineirão, como com a camisa azul estrelada.

Representantes em preto e branco. Pelo lado atleticano, um dos que espera o título inédito é o central Henrique, que no momento está sem clube. Ele jogou a maior parte de sua carreira pelo Minas, onde enfrentou o Sada Cruzeiro em diversas oportunidades. "Mesmo sendo Galo, nunca considerei estes embates diferentes, sempre soube separar bem as coisas. A torcida do Sada sempre pegou no meu pé, mas pelo fato de que eu vibrava muito. Acredito que eles nem saibam que eu sou atleticano, nunca deixei isso transparecer dentro da quadra", aponta o atleticano.

O fato do Cruzeiro ter se sagrado campeão brasileiro no último domingo não incomodou Henrique, ao contrário de outros alvinegros. "Claro que preferia que fosse o Atlético o campeão. Mas, como não foi possível, fiquei satisfeito com o título ter vindo para Minas Gerais. Isso engrandece o nosso Estado e mostra que o futebol mineiro está em alta", garante.

Outros atleticanos no mundo do vôlei são o ponta Lucarelli, do Sesi-SP, além da oposta Sheilla, da seleção brasileira, que atualmente joga na Turquia.

Palpites embasados no coração

Como não podia deixar de ser, Henrique e Filipe esperam que seus clubes saiam do Mineirão com a faixa de campeão da Copa do Brasil estampada no peito. Apesar da preferência distinta, eles concordam de que a batalha deverá ser dura dentro de campo.

"Espero que o Cruzeiro triunfe e traga mais essa taça. Mesmo se perder, o time vai ser aplaudido pelo que fez na temporada. O Cruzeiro demonstrou o ano todo que é o melhor time do país e tem tudo para ser campeão", mostra o ponta, que acredita em vitória nos pênaltis após um 2 a 0 no tempo normal.

Já Henrique acredita no talento de Tardelli e cia., e aponta que o começo de jogo poderá encaminhar o título. "Acho que muito vai depender dos primeiros 15 minutos. O Cruzeiro poderá vir para cima com a vontade de ganhar tudo ou talvez menos intenso pelo fato de ter ganhado o Brasileiro. Essa última opção é mais difícil de se concretizar. Ainda não tem nada garantido, mas creio na vitória", garante.

Divisão dentro de casa

Casado com a ex-jogadora do Minas, Molico-Nestlé-SP e seleção brasileira Luciana Ferraz, o ponta Filipe do Sada Cruzeiro trava um saudável embate dentro de casa. Enquanto ele torce para o Cruzeiro, sua esposa é adepta do time de Levir Culpi. A 'luta' para influenciar os dois filhos pequenos, de quatro e dois anos, é constante.

"Tento passar essa minha paixão para eles, que acabam ficando divididos, porque percebem que o time da mãe é outro. Ela respeita a minha opção, mas não deixa de vibrar e torcer. Tento fazer o meu papel, dando presentes e incentivando da melhor forma. Nos meus jogos, eles costumam ir com camisas do Cruzeiro. Isso já é um bom sinal", descontrai o jogador. 

Como fica boa parte do tempo longe de casa, em viagens, Filipe precisa tentar compensar o tempo perdido, quando os pequenos ficam com a mãe e com sua família. "Viajamos por alguns dias agora e eles ficaram um bom tempo com a família dela. Quando os reencontrei, eles já estavam gritando 'galo'. Não gostei muito, é uma situação complicada", relata.

Filipe teve, inclusive, um pedido especial atendido pela família de Luciana. "Falei com eles, numa boa, para não darem presentes do Atlético para eles. Eles entenderam e respeitaram, assim como ela", comemora.

Apesar das tentativas dos dois lados, os filhos ainda parecem estar divididos. "Um deles me perguntou há alguns dias se ele poderia torcer para Cruzeiro e Atlético. Falei que sim, que não tinha problema. Acho que daqui a alguns anos é que eles vão escolher e ter uma melhor noção desta opção", relata.