Pobreza cai 64% em Belo Horizonte em dez anos, diz estudo

Pessoas com renda per capita entre R$ 70 e R$ 140 mensais passaram de 10,57% da população, em 2000, para 3,80% em 2010

iG Minas Gerais | RAÍSSA MACIEL |

Os brasileiros 10% mais ricos ganham 50 vezes mais do que os 10% mais pobres
ANDRÉ FOSSATI - 19.3.2010
Os brasileiros 10% mais ricos ganham 50 vezes mais do que os 10% mais pobres

A porcentagem de pessoas consideradas pobres em Belo Horizonte caiu de 10,57% em 2000 para 3,80% em 2010 (queda de 64,04%), segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, divulgado nesta terça-feira (25). Se for considerado um intervalo de 20 anos, entre 1991 e 2010, a diminuição da pobreza foi de 77,94%, passando de 17,23% da população para 3,80%. O estudo considera pobre a pessoa com renda domiciliar per capita entre R$ 70 e R$ 140 mensais (a preços de agosto de 2010).

Comparando a capital mineira com as demais do Sudeste, Belo Horizonte foi a segunda que registrou maior queda da pobreza, atrás apenas de Vitória (diminuição de 65,92% em dez anos). Em terceiro, ficou o Rio de Janeiro, com queda de 43,38%, seguido de São Paulo, que registrou diminuição de 42,21% no período.

Em relação aos considerados extremamente pobres (renda per capita inferior a R$ 70 mensais), a melhora foi ainda mais significativa. A participação dessas pessoas na população de Belo Horizonte caiu de 2,38% (2000) para 0,79% (2010), diminuição de 66,80%.

O atlas usa a renda como um dos três pilares para o cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). Mas alerta: "nesta abordagem, a renda e a riqueza não são fins em si mesmas, mas meios para que as pessoas possam viver a vida que desejam.

Salários melhores

A renda per capita do belo-horizontino aumentou 35,87% em dez anos, passando de R$ 1.101,96 em 2000 para R$ 1.497,29 em 2010. O estudo alerta, porém, que isso pode significar um aumento da desigualdade. "É preciso que este crescimento seja transformado em conquistas concretas para as pessoas: crianças mais saudáveis, educação universal e de qualidade, ampliação da participação política dos cidadãos, preservação ambiental, equilíbrio da renda e das oportunidades entre todas as pessoas, maior liberdade de expressão, entre outras. Assim, ao colocar as pessoas no centro da análise do bem-estar, a abordagem do desenvolvimento humano redefine a maneira como pensamos sobre e lidamos com o desenvolvimento – internacional, nacional e localmente".

Realmente, a desigualdade em Belo Horizonte diminuiu, mas não na mesma proporção do aumento da renda. O índice de Gini da cidade - instrumento que mede a concentração de renda e varia de 0 a 1, sendo 0 a total igualdade - caiu de 0,61 em 2000 para 0,60 em 2010.

O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil é um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Fundação João Pinheiro.