Manifestantes resistem à retirada de barricadas em bairro de Hong Kong

Polícia tentou dispersar mais de cem manifestantes que se recusavam a abandonar a região de Mongkok, enquanto funcionários públicos desmantelavam as barricadas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Ao menos dez pessoas foram detidas nesta terça-feira (25) em Hong Kong após os manifestantes resistirem à retirada de barricadas e à dispersão dos acampamentos de protesto que ocupam as ruas da cidade há oito semanas.

A polícia tentou dispersar mais de cem manifestantes que se recusavam a abandonar a região de Mongkok, enquanto funcionários públicos desmantelavam as barricadas. Entre os detidos estava o deputado Leung Kwok-hung.

Mongkok abriga um dos três acampamentos montados desde 28 de setembro. Os outros são em Admiralty, perto da sede do governo, e em Causeway Bay, bairro comercial de luxo apreciado pelos chineses do continente.

Como ocorreu na semana passada em Admiralty, a operação respondeu a uma ordem judicial de expulsão e afetou uma pequena área -uma centena de metros de uma rua comercial muito movimentada.

Os confrontos com os agentes se intensificaram depois das 15h locais (5h de Brasília), quando a polícia fez sua última advertência para que os manifestantes desocupassem parte da rua Argyle para o trânsito veicular.

Em seguida, os agentes começaram a prender vários manifestantes e a empurrar à multidão para outras ruas próximas. Dezenas de oficiais de justiça e uma centena de policiais estavam presentes.

Funcionários municipais que usavam capacetes e coletes retiraram bloqueios de madeira das vias públicas depois que os manifestantes, mais cedo, desmontaram suas tendas e empacotaram seus pertences.

A liminar foi concedida para uma companhia de ônibus que disse que o bloqueio estava prejudicando seus negócios.

Segundo a imprensa local, as operações devem prosseguir na quarta-feira (26) em Mongkok com a retirada de uma parte mais ampla do acampamento.

O líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, que classificou os protestos como ilegais, pediu que ativistas fossem para casa.

Democracia

Os manifestantes pedem o sufrágio universal na ex-colônia britânica, hoje controlada pela China.

Alguns manifestantes vaiaram a ação desta terça e mostraram placas exigindo que Pequim permitisse democracia total nesse centro financeiro global.

Em agosto, Pequim ofereceu ao povo de Hong Kong a chance de votar em seu próprio líder em 2017, mas disse que apenas dois ou três candidatos poderiam concorrer depois de obterem aprovação de um comitê de nomeação formado principalmente por apoiadores do regime de Pequim. Os manifestantes exigem que os candidatos sejam livres para disputar as eleições.

Mais de 100 mil pessoas foram às ruas no pico das manifestações, mas esse número caiu para algumas centenas em tempos mais recentes.

Ainda assim, os ativistas ainda ocupam três locais da cidade, gerando reclamações por prejudicarem os transportes públicos, assim como a atividade econômica e comercial.  

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