Relatório aponta melhoria nos municípios, mas desigualdades persistem

Atlas pesquisou 9.825 unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs), conceito próximo ao de bairros, e concluiu que as desigualdades entre elas foram reduzidas entre 2000 e 2010, mas ainda são acentuadas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Além de 16 regiões metropolitanas, o Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, divulgado nesta terça-feira (25), pesquisou 9.825 unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs), conceito próximo ao de bairros, e concluiu que as desigualdades entre elas foram reduzidas entre 2000 e 2010, mas ainda são acentuadas.

O Atlas é fruto de parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro.

Segundo o estudo, em 2000, 7% das UDHs tinham Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) muito baixo; 32%, baixo; 29%, médio; 21%, alto e 11%, muito alto.

Em 2010, não há UDHs na faixa de muito baixo desenvolvimento humano. O percentual de UDHs na faixa de baixo desenvolvimento humano é 2% do universo pesquisado. Trinta e dois por cento  das UDHs tinham IDHM médio; 36%, IDHM alto e 30%, IDHM muito alto.

O IDHM é um número que varia entre 0 e 1: quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano de um estado, município, de uma região metropolitana ou UDH. Para calcular o índice geral, três fatores são analisados: a expectativa de vida, a renda per capita e a educação.

Apesar da redução das disparidades, a desigualdade dentro dos municípios ainda é fator marcante, segundo o estudo. O Atlas mostra grandes disparidades de renda entre as UDHs de uma mesma região. Em Manaus, por exemplo, a renda média da localidade mais abastada é aproximadamente 47 vezes maior que a da mais carente. Em 2010, na UDH chamada de Zona Rural Itacoatiara, a renda per capita média mensal é R$ 169,1. Na UDH Condomínio Residencial Houseville/Condominio Abrahan Pazzuelo/Condomínio dos Advogados, a renda per capita média mensal é R$ 7.893,75.

De acordo com a publicação, a esperança de vida ao nascer varia, em média, 12 anos dentro das regiões metropolitanas avaliadas. “Se consideradas todas as UDHs (mais de 9 mil) das 16 regiões analisadas, o melhor dado corresponde a 82 anos, enquanto o mais baixo é 67 anos. São 15 anos de diferença em termos de expectativa de vida ao nascer”, mostra o estudo.

Quanto à educação, o Atlas informa que nas UDHs com melhor desempenho entre todas as 16 regiões analisadas, o percentual de pessoas com mais de 18 anos com ensino fundamental completo varia de 91% a 96%. “Já nas UDHs com pior desempenho, a variação fica entre 21% e 37%, portanto quase três vezes menor”, aponta a pesquisa.

O objetivo de pesquisar as UDHs é evidenciar as disparidades existentes entre elas, que antes eram omitidas pelas médias municipais. Segundo o estudo, a partir da análise dos dados é possível concluir que mesmo nas regiões metropolitanas mais carentes há bolsões com muito alto desenvolvimento humano e que, nas regiões com maior IDHM, também há várias UDHs com baixos níveis de renda e educação.

De acordo com Olinto Nogueira, coordenador de pesquisa da Fundação João Pinheiro, as UDHs são áreas com a maior homogeneidade socioeconômica possível, amplamente reconhecidas pela população e contíguas.

“As maiores desigualdades estão dentro dos municípios e não entre municípios. Isso que levou a gente a fazer o zoom dentro dos municípios, fugir das grandes médias e tentar aproximar o máximo possível da realidade das pessoas”, disse Nogueira.

O técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Marco Aurélio Costa, explicou que os recortes espaciais chamados de UDHs são uma criação do projeto desse novo Atlas. “Criamos essa espacialidade intramunicipal. Uma das coisas que a gente buscou nesse projeto era tentar captar justamente a desigualdade socioeconômica desses espaços metropolitanos. A gente tinha a hipótese de que dentro dos municípios e das regiões metropolitanas encontraria realidades muito diferentes e que o dado municipal, que é uma média, esconde essas diferenças. Quando a gente quebra o município e vai para o espaço intramunicipal, tem a possibilidade de ver a desigualdade socioeconômica com mais detalhe.”

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