Delator volta a depor na PF

Alberto Youssef prestou depoimento ontem e retorna nesta terça para finalizar processo de delação

iG Minas Gerais |

Bolada. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teria cinco contas na Suíça, com US$ 27 milhões
VAGNER ROSARIO/FUTURA PRESS/ESTA
Bolada. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teria cinco contas na Suíça, com US$ 27 milhões

Curitiba. O doleiro Alberto Youssef, considerado o líder do esquema de lavagem e desvio de dinheiro revelado pela operação Lava Jato, voltou a depor nesta segunda e vai continuar o interrogatório nesta terça. A polícia não divulga se os depoimentos têm relação com a sétima fase da operação, que focou em executivos e empreiteiras com contratos com a Petrobras, ou nos demais processos originados a partir da Lava Jato. Para a Polícia Federal, Youssef é o “maior operador financeiro do país”.  

Apesar da Polícia Federal não informar o propósito dos novos depoimentos, um dos advogados de Youssef Adriano Bretas afirmou que as oitivas estão relacionadas à delação premiada. Para o advogado, agora faltam poucas informações a serem passadas às autoridades.

As investigações apontam que o esquema liderado por Youssef deve ter movimentado cerca de R$ 10 bilhões. Além do envolvimento do doleiro em atividades de câmbio negro, a Polícia Federal também apura a atuação dele como operador de um esquema de desvios na Petrobras, com o objetivo de abastecer o caixa de partidos políticos. Ele e o ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, delataram o esquema à Justiça Federal. Em contrapartida, devem ser beneficiados com reduções de penas, caso sejam condenados nos processos da Lava Jato.

A suspeita das irregularidades da Petrobras levaram 25 pessoas para a cadeira, na sétima fase da operação. Deste total, 14 seguem detidas. O último investigado a se entregar às autoridades foi Adarico Negromonte. Ele é suspeito de levar dinheiro dos escritórios de Youssef para agentes públicos e partidos políticos.

Baiano. O vice-presidente da República, Michel Temer, disse nesta segunda que o empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de desvios de recursos da Petrobras, “não tem nada a ver” com o partido.

“Você sabe que já pensei em lançar uma nota para pedir à imprensa que não diga mais ou não ponha na manchete ‘operador do PMDB disse isso ou aquilo’ porque nós já lançamos notas dizendo que (Fernando Baiano) não tem nada a ver institucionalmente com o PMDB”, disse Temer a jornalistas, ao chegar ao seu gabinete.

“Segundo ponto, o próprio Fernando Baiano e o advogado dele disseram que o PMDB não tem nada a ver com isso. Então, digamos, insiste-se em colocar ‘operador do PMDB’ e ele não é operador nenhum do PMDB.”

Propina

Silencio. Questionado se concordava com a declaração do advogado de Fernando Baiano, que afirmou que não se faz obra pública sem “acerto”, Temer respondeu: “Aí, eu nem comento.”

Estados Unidos Pedido. A Petrobras informou nesta segunda que recebeu uma notificação da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão com função equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil, requerendo documentos relativos a uma investigação da empresa iniciada pelo órgão americano. Possibilidade. Os investigados pela operação Lava Jato ganharam um motivo a mais para se preocupar. A procuradora geral assistente do Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), Leslie Caldwell, responsável pelos casos de corrupção fora do país, foi bastante clara sobre a intenção de prender mais pessoas corruptas, em vez de punir companhias e seus acionistas, apelando para países parceiros colaborarem na busca dos protagonistas dos crimes.

Senador pede ação contra vazamentos

Brasília. O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), cobrou do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, uma atitude para tentar coibir o que chamou de “vazamentos seletivos” de informações obtidas nos depoimentos de delação premiada. Viana disse que o ministro “precisa agir”, quando comentava as denúncias em relação ao líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), que teria sido apontado como beneficiário do esquema na Petrobras, conforme declarações atribuídas a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal.

“Torturas” As prisões de executivos e empreiteiros suspeitos de corrupção na operação Lava Jato são parte de uma estratégia de “tortura psicológica”, na opinião do advogado Renato de Moraes, defensor de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, preso no último dia 14. Duque é suspeito de participar da distribuição de propinas em obras da estatal. O advogado já tentou obter a soltura de Duque na Justiça Federal, sem sucesso. O advogado ainda duvida da veracidade das delações.

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