Morte de jovem é investigada

Corregedoria da Polícia Militar e Ministério Público apuram se tiro de policial foi mesmo acidental

iG Minas Gerais | Joana Suarez / Johnatan Castro |

Desdobramento. 
Após a morte de Alexandro de Souza, três ônibus foram incendiados
Alex Douglas / O Tempo
Desdobramento. Após a morte de Alexandro de Souza, três ônibus foram incendiados

Diante de versões completamente distintas para a morte de Alexandro de Souza, 23, na noite do último sábado, a Corregedoria da Polícia Militar iniciou uma investigação para saber as reais circunstâncias do fato. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também foi requisitado para acompanhar o caso. Enterrado nesta segunda, Souza foi atingido por um militar durante abordagem na vila Calafate, na região Oeste da capital. O policial está detido no 22º batalhão, após o registro do auto de prisão em flagrante.

As descrições do que ocorreu na vila Calafate são diferentes desde a chegada da viatura até a morte. Conforme a Polícia Militar (PM), Souza teria sido atingido por um único disparo acidental no rosto ao tentar tomar a arma do militar. Testemunhas alegam que o policial apontou e atirou no peito e na cabeça da vítima. Souza morreu quando defendia um adolescente de 15 anos e o pai dele, abordados pela PM. Segundo os militares, esse menor estaria com oito pinos de uma “substância semelhante à cocaína” e tentou fugir da polícia. O pai do garoto entrou em conflito com o militar, e outras pessoas da comunidade se juntaram a ele. Após Souza ser atingido, um grande tumulto se formou, e os militares usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para conter a multidão. “Estamos com uma equipe no local, produzindo provas e colhendo informações para verificar se houve alguma ilegalidade na ação policial ou desvio de conduta”, afirmou o corregedor geral da PM, Renato Batista Carvalhais. O pai do menor abordado, o capoteiro Alex Sandro da Silva, 42, afirma que encontrou o filho apanhando de um policial em um beco. Ele teria pedido para que o militar parasse, mas foi hostilizado pelo soldado, que se afastou do local para pedir reforço. “Peguei meu filho e saí dali. Subimos uma rua, e o policial veio atrás. Ele me deu um tapa na cara. Nessa hora eu revidei e até rolamos no chão”, contou o homem, que foi detido e liberado no domingo. Teria sido nesse momento que outros policiais e viaturas chegaram ao local. Alguns moradores do bairro, incluindo Souza, teriam se aproximado para tentar apaziguar. Com as mãos para cima, pedindo para que os militares não agredissem mais o amigo, Souza teria sido baleado na testa e no peito. Enterro.  Membro de família de nove irmãos, Souza, 23, fazia planos para se casar no ano que vem. Ele também era pai de uma menina de 4 anos. Na tarde desta segunda, mais de cem moradores da vila, divididos em dois ônibus e em carros, foram até o cemitério Parque Renascer, em Contagem, para se despedir do jovem, que era tido como tranquilo e brincalhão. “Nunca tinha se envolvido em confusão. Comprei um caminhão para ele trabalhar e agora vou vender para pagar advogado. Quero justiça”, disse o pai da vítima, Elton Moura, 51.

Saiba mais Problemas mentais. O adolescente abordado ainda teria levado um tiro na perna, mas a polícia não confirmou. Ele foi medicado e passa bem. Segundo o pai do garoto, ele tem problemas mentais e toma remédios controlados. O menino estaria se sentindo culpado pela morte de Souza. Militar. O policial responsável pelo disparo que matou Souza atua na PM há um ano. Durante a ação, três policiais foram atingidos por pedras. Ocorrências. Segundo o tenente-coronel do 22º Batalhão da PM, Eucles Figueiredo Honorato Júnior, a vila Bimbarra (Calafate) teve dez registros de apreensões de drogas em 2013 e neste ano.

Homicídio

Intenção. No registro da ocorrência consta como homicídio culposo, que deve ser julgado pela Justiça Militar. Caso a morte seja considerada dolosa (com intenção de matar), irá para a Justiça comum.

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