Lucro sustentava vida de luxo

Líder do grupo usava redes sociais para ostentar carros, gastos com vida noturna e viagens

iG Minas Gerais | aline diniz / bernardo miranda |

Riqueza. Na imagem, Áureo Ferreira em uma de suas fotos nas redes sociais
Reprodução/ Facebook
Riqueza. Na imagem, Áureo Ferreira em uma de suas fotos nas redes sociais

O esquema de fraudes em processos seletivos de universidades e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) proporcionava uma vida de luxo e ostentação para Áureo Moura Ferreira, um dos líderes da quadrilha. Nas redes sociais, ele postava fotos de carros e viagens para hotéis de luxo. Além disso, o suspeito exibia relógios de ouro e noitadas em boates na cidade de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, onde vivia. Para justificar o dinheiro, ele se apresentava como um empresário, com espírito de liderança e predestinado para o sucesso.

A Polícia Civil não repassou informações pessoais sobre Ferreira, nem como o suspeito, de aparentes 30 anos, entrou para um esquema que já funcionava há cerca de 20 anos. Ele morava em uma casa avaliada em R$ 1 milhão, e nela os agentes apreenderam pelo menos cinco carros de luxo. Entre eles, dois Porsches, um deles do modelo Cayenne, avaliado em R$ 350 mil. Em uma das postagens, logo após comprar o veículo, ele escreveu. “Agora a garagem está completa”.

Além de comprar carros, um dos hobbies de Ferreira era fazer test-drive em outros veículos de marcas luxuosas, como Lamborghini e Ferrari. Em uma de suas noitadas, ele alugou uma limusine para levar os amigos até uma das boates mais badaladas de Teófilo Otoni. Frequentador assíduo do local, ele demonstrava ter intimidade com cantores que se apresentavam por lá.

Conhecido por esbanjar, ele era chamado pelos amigos de “rei do camarote” – uma alusão ao empresário Alexander de Almeida, conhecido por suas extravagâncias e altos gastos nas baladas.

O suspeito gastava também com a namorada, moradora de Belo Horizonte. Ela aparece como sua acompanhante em várias viagens para praias e destinos extravagantes. Entre elas, para a China, aonde, segundo a Polícia Civil, integrantes da quadrilha foram recentemente para comprar equipamentos eletrônicos que seriam usados na fraude. “A inovação é o que distingue um líder de um seguidor. Obrigado aos companheiros e amigos. #foco #determinação #Business”, escreveu na foto em que aparece fumando um charuto em frente a um hotel de luxo.

Prisão. Com o pedido de prisão temporária (por cinco dias) aceito pela Justiça, Áureo Ferreira ficará preso no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte, até a próxima quinta, assim como os outros 11 integrantes da quadrilha.

Advogado

Soltos. Lúcio Adolfo, que representa cinco dos 22 estudantes presos, disse que dois clientes foram liberados sem fiança, por falta de provas. Os outros advogados não foram encontrados.

Histórico

Hemostase I.  Em dezembro do ano passado, a Polícia Civil de Minas já havia desarticulado uma quadrilha que também fraudava vestibulares de medicina. Na ocasião, 21 pessoas foram presas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. A investigação começou em Caratinga, na região do Rio Doce.

Lucro. Com os detidos, foram apreendidos R$ 500 mil em dinheiro, mais US$ 25 mil, celulares, documentos, pontos eletrônicos, munição de uso restrito e um veículo de passeio. Como na época foram levantados indícios de fraude no Enem, o caso foi repassado para a Polícia Federal (PF). A PF está na fase final de conclusão do inquérito. Os beneficiados pela fraude que já estão matriculados em cursos podem perder suas vagas.

Sem ligação. Apesar de o modelo de fraude ser bem parecido, a Polícia Civil descartou a possibilidade de ligação entre as duas quadrilhas. Apesar da fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não há informações sobre a Polícia Federal assumir a investigação do caso mais recente.

Inep afirma que Enem é seguro e diz que não foi notificada O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação, informou que a segurança do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é feita, antes, durante e depois da realização dos testes, pela Polícia Federal, em conjunto com a instituição. Na última edição, realizada no início do mês, o Inep eliminou 1.519 participantes por tentativa de fraude, além de prisões feitas pela PF. Sobre a operação em Minas – que tinha o objetivo de desarticular a quadrilha que fraudava vestibulares em instituições privadas – o Inep não recebeu, até o fechamento desta edição, qualquer informação ou suposta relação do esquema com o Enem. O instituto não se pronunciou sobre um possível cancelamento do exame.

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