A lona encontra o interior

Antes de chegar a Belo Horizonte, programação do Festival Mundial de Circo, passou por Caxambu, no Sul do Estado

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Cena. “Xuleta Mon Amour”, solo da palhaça Gyuliana Duarte, é uma das atrações
Marco Aurelio Prates / Divulgaca
Cena. “Xuleta Mon Amour”, solo da palhaça Gyuliana Duarte, é uma das atrações

Uma das tradições do “velho”circo de lona é percorrer lugares remotos do Brasil e parar de lugarejo em lugarejo para mostrar o que a trupe tem de espetacular para a população. Mas o cenário hoje não é como antes. Desde que a televisão e a eletricidade chegaram nas pequenas cidades, o circo passou a concorrer com as telenovelas e, hoje, até com a internet e um rol de opções para ócio e lazer das pessoas.  

O Festival Mundial de Circo, no entanto, comprova que essa vocação de por o “pé na estrada” ainda é bem recebida em cidades menores. Assim, antes de chegar a Belo Horizonte, o festival passou por Caxambu, no interior do Estado, pelo segundo ano seguido, para abrir sua lona e receber um público ávido para ver os circenses.

“Nós tivemos tanta procura no primeiro ano que tivemos que mudar um pouco nossa programação para 2014, com duas lonas: uma para 900 pessoas e uma menor, para 300. No ano passado, a lona era para 400 pessoas. O nosso problema era o excesso de público”, comenta Fernanda Vidigal, da Produtora Agentz, de Belo Horizonte, responsável pelo festival desde sua primeira edição em 2000. O “problema” continuou na edição 2014. “É impressionante! Aumentamos (e muito!) a capacidade da lona e ainda teve gente que ficou de fora”, aponta ela.

A principal atração da programação em Caxambu foi um show de variedades, composto por vários artistas que levaram seu nome na bagagem para compor um espetáculo coletivo. “Nós fazemos esse tipo de espetáculo desde 2006, mas é interessante porque sempre existe um certo grau de imprevisibilidade”, diz. “Os números são de altíssimo nível, mas não sabemos como eles ficariam juntos. Temos ainda um diretor, uma banda, um mestre de palco. E precisamos que seja um espetáculo grandioso, porque a lona era bem maior”, completa.

Outro aspecto que o circo “antigo” conseguia fazer era intervir e criar em torno de si, nas cidades menores, uma atmosfera muito particular. Isso, de acordo com Fernanda, também aconteceu na pequena Caxambu, nos dias do festival. “Imagine: é uma cidade pequena. De repente, chega uma quantidade de artistas de várias partes do mundo, que estão criando juntos um espetáculo. Naturalmente, passou a ser o principal assunto e a população nos recebeu muito bem”, comemora a curadora.

Turismo. Um dos desdobramentos pretendido pelo Festival de Circo em Caxambu é a atração de turistas para a pequena cidade, que tem pouco mais de 20 mil habitantes. O projeto foi o vencedor do Edital de Chamamento Público realizado pela Secretaria de Estado de Turismo e Esportes, que incentiva a realização de festivais culturais no interior do Estado. Em 2016, o festival desembarcará pela terceira e última vez na pequena cidade do Sul de Minas. “Ainda é tímido, mas vemos uma iniciativa, o começo de uma entendimento de uma política pública para festivais no Estado”, comemora Fernanda.

Programe-se

Todo o histórico e toda a programação do 14º Festival Mundial de Circo, que acontece em espaços públicos e em quatro teatros (Oi Futuro Klauss Vianna, Funarte, Teatro da Biblioteca Luiz de Bessa e Cine Theatro Brasil) da cidade, podem ser vistos na página: www.festivalmundial de circo.com.br

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave