Vanguarda circense

14ª edição do Festival Mundial de Circo traz artistas referenciais do gênero

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Âncora. Paolo Nani é a principal atração do festival. Aqui, cena de “Jekill on Ice”
Nelson Batista/divulgação
Âncora. Paolo Nani é a principal atração do festival. Aqui, cena de “Jekill on Ice”

Trazer a Belo Horizonte a vanguarda do circo produzido ao redor do mundo é o que sempre motivou a realização do Festival Mundial de Circo (FMC), desde sua primeira edição, em 2000. O festival sempre optou por uma curadoria pautada pela ideia de que “menos pode ser mais”. Assim, com uma programação enxuta, o evento começa nesta quarta em Belo Horizonte e vai até domingo. “Tem uma coisa que sempre nos pautou, que é fazer um festival com qualidade. Preferimos trazer experiências mais novas para a cidade do que trazer 70 espetáculos em uma edição”, comenta Fernanda Vidigal, produtora e curadora do FMC, desde sua criação.

Seguindo o pensamento de trazer artistas referenciais à cidade, a 14ª edição do festival tem o italiano Paolo Nani como “âncora”. Ele apresenta dois trabalhos na programação: “A Carta” e “Jekill on Ice”. O primeiro é responsável pela abertura do evento, nesta quarta, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna. “Há muito tempo nós queríamos trazer o Nani e, por questões de agenda, nunca foi possível”, comenta Fernanda. “Ele é um dos melhores palhaços da atualidade. É uma referência mundial na palhaçaria”, completa. Em “A Carta”, o italiano não se caracteriza com as vestes e não usa o famoso nariz de palhaço, tão peculiar ao personagem. E, além disso, ele não fala uma única palavra em cena. Em linhas gerais, é simples: um homem entra em cena, bebe algo, cospe, porque não sabe o que é, escreve uma carta e, ao descobrir que não existia tinta na caneta, enlouquece. Mas o que parece trivial ganha cores com a impressionante linguagem corporal do palhaço e pelo inusitado de mostrar a sequência de 15 maneiras diferentes. De trás pra frente, sem as mãos, estilo terror, estilo circo, bêbado, faroeste, filme mudo, com mágica, são alguns dos exemplos. “Você não para de rir um minuto!”, garante a produtora do festival. Já em “Jekill on Ice”, devidamente paramentado e caracterizado, Nani vive um sorveteiro que, com seu carrinho, sai para construir um espetáculo com participação do público. “É menos sobre contar uma história e mais sobre como ela é contada. O mais importante é o jogo entre Jekyll e o público e como, juntos, criam a magia do espetáculo, uma viagem lúdica, louca e musical! São dois trabalhos bastante distintos e comprovam o grande artista que Nani é”, ressalta Fernanda. Seguindo a linha da arte do palhaço, o festival também trará referências nacionais do gênero. O palhaço Xuxu, de Luiz Fernando Vasconcellos, apresenta “Silêncio Total”. Além dele, a Cia La Mínima apresenta “Mistério Bufo”, com quatro pequenas histórias escritas por Dario Fo com inspiração em passagens da Bíblia, mas que subvertem a seriedade do assunto por meio de uma linguagem repleta de gírias, dialetos e situações que se mesclam à estética de Fo e a do palhaço. Os quadros que compõem o espetáculo são “A Ressurreição de Lázaro”, “O Cego e o Paralítico”, “O Louco e a Morte” e “O Louco aos Pés da Cruz”. Longevo. Em 2015, o Festival Mundial de Circo completará 15 anos de trajetória, com 15 diferentes festivais no currículo. A longa estrada percorrida até aqui pode dar ideia de que há alguma perenidade no trabalho desenvolvido pela Agentz, produtora do evento, mas a realidade não é diferente de vários coletivos artísticos no país que sofrem com a falta de uma política pública que privilegie ações a médio e a longo prazo. “Não somos diferentes de ninguém. Todo ano precisamos renascer, recomeçar, mas estamos falando de um festival que vai completar 15 anos em 2015. Não existe facilidade, mas existe uma história que não se pode ignorar. Na primeira edição, a coisa que mais ouvimos era que ‘o circo estava morto’ e que nós éramos loucas de fazer um evento dessa natureza. Felizmente, depois de alguns festivais e de trazer várias edições para Belo Horizonte e comprovar que o circo está bastante vivo, não ouvimos mais esse tipo de conversa”, pontua Fernanda Vidigal.

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