Gremista que ofendeu Aranha faz acordo e ação por injúria é suspensa

Nos dias de jogos do Grêmio, torcedores se apresentarão numa delegacia 30 minutos antes da partida e só serão liberadaosapós o jogo

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

ESPORTES - RACISMO - 29.08.2014
Torcedora gremista e flagrada chamando o goleiro Aranha de
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ESPORTES - RACISMO - 29.08.2014 Torcedora gremista e flagrada chamando o goleiro Aranha de " macaco " durante partida entre Gremio x Santos , nesta quinta-feira (28) . FOTO : Reproducao / Facebook

A torcedora do Grêmio Patrícia Moreira da Silva, 23, que chamou o goleiro Aranha, do Santos, de "macaco" em agosto deste ano, fez um acordo com a Justiça gaúcha e teve a ação por injúria racial contra o jogador suspensa de forma condicional. Nos dias de jogos do Grêmio, Patrícia terá de se apresentar numa delegacia a ser determinada 30 minutos antes da partida ter início e só poderá deixar o local 30 minutos após a conclusão da disputa. A medida valerá até o final de agosto. Além de Patrícia, outros três torcedores - Éder Braga, Rodrigo Rychter e Fernando Ascal, também denunciados por injúria racial - vão cumprir o acordo proposto pelo juiz Marco Aurélio Xavier, nesta segunda-feira (24). O advogado de Patrícia, Alexandre Rossato, explicou que não é uma pena alternativa, mas sim uma suspensão condicional. Se os torcedores deixarem de cumprir, poderão ser processados por injúria racial. O CASO As ofensas ao goleiro Aranha ocorreram no dia 28 de agosto deste ano, no confronto entre Santos e Grêmio, na Arena do Grêmio, pela Copa do Brasil. A partida já estava nos minutos finais quando Aranha relatou ao árbitro Wilton Pereira Sampaio que estava sofrendo insultos racistas. Vários torcedores xingavam o jogador e imitavam macacos. As câmeras das ESPN, que fazia a transmissão do jogo, flagraram Patrícia chamando o santista de "macaco". Após perder o emprego e pedir desculpas públicas para Aranha, Patrícia chegou a afirmar que gostaria de virar um símbolo na luta contra o racismo. "Eu quero, não só dentro da Arena, mas em outros estádios, na vida social, ser um símbolo contra o racismo. Pretendo mudar essa imagem. Ser um exemplo que englobe todos os times, torcidas", disse ao jornal "Zero Hora". O episódio ainda prejudicou o Grêmio, que foi excluído da Copa do Brasil em decisão inédita do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

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