Em BH, 33 são presos por fraude em vestibular de medicina

Investigação também acontece em Guarujá (SP); há a suspeita de que o Enem tenha sido aprovado em cinco estados; quadrilha também teria agido durante o Enem; vagas em cursos variava de R$ 70 mil a R$ 200 mil

iG Minas Gerais | Da Redação |

A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu 33 pessoas, nesse domingo (23), suspeitas de fraudar o vestibular de medicina na faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais. A operação Hemostase II, realizada em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais já realiza investigações há sete meses e tem, como objetivo, desarticular uma quadrilha especializada em burlar vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), principalmente com a venda de vagas em cursos, que variava de R$ 70 mil a R$ 200 mil.

Dos presos, 11 seriam integrantes da quadrilha e os outros 22 candidatos que faziam a prova de medicina em uma instituição particular da capital mineira. Os dois suspeitos de liderar a quadrilha são mineiros: Áureo Moura Ferreira, que mora em Teófilo Otoni, na região do Vale do Jequitinhonha, e Carlos Roberto Leite Lobo, empresário que reside em Guarujá (SP). Ambos foram detidos na capital mineira, enquanto monitoravam os trabalhos na tarde desse domingo. Entre detidos, ainda, há um policial civil, lotado em Governador Valadares, que estava em um dos carros da quadrilha.

Segundo a assessoria da Polícia Civil, nesta manhã, os policiais estão nas cidades de Teófilo Otoni, e Guarujá (SP) cumprindo diligências. Nesses municípios, já foram apreendidos carros de luxo, dinheiro, e documentos comprobatórios da fraude, como gabaritos de provas da quadrilha.

De acordo com o Superintendente de Investigação e Polícia Judiciária, delegado Jeferson Botelho, que chefia a operação em Teófilo Otoni, essa quadrilha atuava da seguinte forma: pessoas faziam parte das provas rapidamente, saiam com os resultados das questões e repassavam para os candidatos compradores das vagas por meio de transmissão eletrônica. Ainda segundo o delegado, o último lote de equipamentos adquiridos pela quadrilha era composto por micropontos eletrônicos e moderno sistema de transmissão de dados, que teria sido adquirido na China a um custo de R$ 200 mil dólares.

A equipe da Polícia Civil que atua junto ao Núcleo de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público continuará trabalhando com os promotores de Justiça nas próximas horas, formalizando os Autos de Prisão em Flagrante, para que o resultado final da operação seja apresentado à Imprensa nos próximos dias.

Na Operação Hemostase I, no ano passado, a Polícia Civil já havia desbaratado uma quadrilha que também fraudava vestibulares de medicina. Como na época foram levantados indícios de fraude no Enem, o caso foi repassado para a Polícia Federal. Agora, na Hemostase II, conforme o delegado Jeferson Botelho, a suspeita é a de que o Enem foi fraudado em cinco estados.

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