Indústria teve um dos piores anos de sua história em 2014

Setor sofreu com a implantação de muitas políticas que não deram resultado, dizem analistas

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Fim de linha. O ano de 2014 foi tão ruim que algumas fábricas estão para fechar até dezembro
Divulgacao / GERJ
Fim de linha. O ano de 2014 foi tão ruim que algumas fábricas estão para fechar até dezembro

Com um faturamento menor na comparação com 2013, demissões ou suspensão temporária do contrato de trabalho (lay-off), em especial pelas montadoras, 2014 não é um ano para ser recordado com orgulho pela indústria, tanto a brasileira, quanto a mineira.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), houve queda de 2,1% no faturamento do setor no acumulado do ano até setembro frente igual período de 2013. Em Minas, o faturamento real teve recuo ainda maior (-7,62%), segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda e sócio da MB Associados, afirma que nunca na história se fez tanta política para a indústria e, ao mesmo tempo, nunca a crise do setor foi tão grande. “Temos uma dosagem e uma variedade de políticas sem precedentes, com crédito subsidiado em doses maciças. No entanto, a indústria nunca esteve numa crise tão grande, o que mostra que algo está errado”, diz.

Empregos. E com receita menor, manter os postos de trabalho se torna uma tarefa difícil para muitas indústrias. Os números mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em outubro deste ano, o setor cortou 123 mil vagas, o que representa um recuo de 3,4% frente ao mesmo mês do ano passado. Na comparação de outubro frente setembro do mesmo ano, um pouco de alívio, já que a indústria contratou 26 mil empregados, alta de 0,7%.

Unidades fecham. Além de demissões, há indústrias que vão encerrar a atividade de unidades. É o caso da multinacional Novelis, que em outubro anunciou que vai fechar sua fábrica de alumínio primário no Brasil, em Ouro Preto, região Central do Estado. A planta, que começou as atividades em 1934, será fechada até o final do ano. A fábrica emprega em torno de 350 trabalhadores e tem capacidade para produzir 18 mil toneladas métricas de alumínio primário por ano.

“Para fazer o empresário voltar a investir, o governo precisa recuperar a confiança. Os índices de confiança do industrial foram os mais baixos da história.” Annelise Fonseca

- Economista da Fiemg

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