Histórico de parceria e crimes

Polícia Federal e Tribunal de Contas colecionam acusações de fraudes e desvios contra empresas

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

A explosão da operação Lava Jato estarreceu milhares de brasileiros pela sua magnitude. Mas se, para a maioria da população, o caso é acompanhado com surpresa, na Polícia Federal (PF) e no Tribunal de Contas da União (TCU), a revelação do esquema não gerou o mesmo impacto. Pelo menos não no que diz respeito aos personagens envolvidos. Há décadas os dois órgãos investigam e apontam dezenas de fraudes e irregularidades, entre outros crimes, envolvendo a principal estatal do país, as maiores empreiteiras e o doleiro Alberto Youssef.

Muitos dos processos ainda estão em andamento, outros resultaram em multas ou recomendações que, a julgar pela reincidência dos crimes, não foram suficientes para quebrar os elos e ceifar a “árvore criminosa” já enraizada na Petrobras.

Uma busca nos sites da PF e do TCU mostra que, em menor ou maior grau, as empresas hoje suspeitas de fraudes que podem chegar a R$ 10 bilhões são antigas parceiras na corrupção dentro da estatal e em obras de diversos ministérios.

Os casos reforçam a tese de um “clube vip” entre as empresas, revelado pelos depoimentos da Lava Jato. A parceria no mercado – as construtoras executam as principais obras do país – e nas ilicitudes é antiga. Há 25 anos, no escândalo conhecido como “caso BR”, o então presidente da BR Distribuidora, general Albérico Barroso, foi acusado de cobrar propina de banqueiros. Ele havia sido indicado pelo então presidente da República, José Sarney – o cacique do PMDB, partido envolvido na cobrança de propina de empreiteiras atualmente.

Na lista de irregularidades estava a contratação de empresas para escavar minério de ferro: entre elas, a Odebrecht, que nunca achou um grama de minério.

Em 1992, no governo Collor, o ministro da Fazenda Pedro Paulo Leoni Ramos montou um esquema de corrupção na estatal. Hoje, ele é um dos alvos da PF por envolvimento com Alberto Youssef. A ficha criminal do doleiro, por sua vez, é de deixar muito presidiário “no chinelo”. Ele já foi preso oito vezes. Na penúltima, em 2004, prometeu que abandonaria o crime.

Anos depois, em 2007, a Iesa – apontada em desvios bilionários – foi citada na operação Águas Profundas, que investigou fraudes de R$ 150 milhões em licitações na Petrobras. Uma executiva da empresa foi presa.

Já a OAS, a Camargo Corrêa e a Queiroz Galvão são suspeitas de pagar propina na construção dos trens de Salvador e Fortaleza. Os contratos foram firmados com o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte. Ele é irmão de Adarico Negromonte, apontado como transportador das propinas na Lava Jato.

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