Compra virtual esconde riscos

Número de crimes cibernéticos em Minas Gerais mais que dobra em apenas dois anos

iG Minas Gerais | Marco Antônio Corteleti |

Gato escaldado. Depois de ter seus dois cartões de crédito usados para pagar compras que ele não fez, Sérgio mudou os hábitos online
DENILTON DIAS
Gato escaldado. Depois de ter seus dois cartões de crédito usados para pagar compras que ele não fez, Sérgio mudou os hábitos online

Ao mesmo tempo em que a tecnologia propicia inúmeras facilidades para o consumidor moderno, como a compra feita pela internet, também surgem os mais variados problemas decorrentes desses avanços. Dentre os crimes financeiros mais comuns, as fraudes com cartão ocupam lugar de destaque em meio a uma variedade de crimes virtuais. Em apenas dois anos, o número de delitos registrados nas duas Delegacias Especializadas em Investigação de Crimes Cibernéticos (DEICC) em Belo Horizonte mais que dobrou: passou de 547 em 2011 para 1.139 em 2013. De acordo com o delegado titular da 1ª DEICC, César Duarte Matoso, há todo tipo de crime na internet. “O caso mais comum é o estelionato, isto é, delito relativo a produtos que não são entregues, de carros e celulares a CDs e livros”. Em geral, segundo Matoso, esses artigos “inexistentes” são adquiridos de sites desconhecidos e/ou registrados em outros países. Processo lento. Como em qualquer outro tipo de investigação, o processo é lento. Segundo o delegado, o inquérito policial costuma exigir até duas quebras de sigilo, o que acaba atrasando seu andamento porque depende de autorização judicial. Até pouco tempo atrás, um golpe bastante comum aplicado pelos criminosos era a clonagem de cartões. Mas, com a introdução do chip, esse tipo de delito reduziu sensivelmente. “O chip tornou as transações com cartão físico mais seguras, mas as compras pela internet passaram a ser o alvo dos golpistas”, afirma o especialista em prevenção de fraudes Lorenzo Parodi. Segurança. Recentemente, reportagem exibida pelo programa “Fantástico”, da rede Globo, mostrou uma quadrilha especializada em tecnologia que burlou a segurança dos chips de cartões. “O que houve, na verdade, foi a extração dos ‘dados públicos’, basicamente as senhas, feita em um equipamento adulterado. Não há nada de novo nisso, pois sempre foi possível obter essas informações do chip”, revela o especialista Lorenzo Parodi. A novidade desse golpe, segundo ele, foi a descoberta de falhas na autenticação dos cartões de alguns bancos, que deixaram de implementar as recomendações do padrão internacional que garante a segurança das transações com cartão, chamado EMV.

Febraban garante segurança

O diretor da Comissão de Prevenção a Fraudes da Federação Brasileira de Bancos, Adriano Volpini, diz que os problemas com fraudes em cartões com chips são pontuais. “Os bancos que fizeram a implantação parcial já ajustaram o processo para a metodologia segura de autenticação do chip. Hoje, todos contam com seu processo de segurança máxima nas transações financeiras”, afirma. Mas cautela é bom: nunca deixe seu cartão na mão de ninguém. (MAC)

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