Hora de cobrança

iG Minas Gerais |

As investigações da Polícia Federal na operação Lava Jato ainda caminham longe de seu final e já há articulações nos meios políticos e em setores do empresariado ligados ao sistema financeiro e às empreiteiras, sugerindo que a sentença do caso não emerja do Judiciário, mas que se busque uma decisão política. Argumentam que serão comprometidas empresas de grande poder econômico, responsáveis pela geração de mais de 400 mil empregos ativos, obras cuja paralisação resultaria em prejuízos implacáveis para os governos e para a sociedade, que os problemas são antigos e históricos na prática dos negócios com o poder público, que não apenas o PT, mas também o PSDB os comete ou os cometeu quando governo, blablablá, blablablá, blablablá. Tudo isso é rigorosamente verdadeiro mas também é fundamental admitirmos que o país tem que ser passado a limpo, que a corrupção tem que ter um cerco definitivo e as relações serem aclaradas, tornadas transparentes e nenhum momento se mostra melhor para que isso seja feito do que o que estamos vivendo agora. Temos no mercado centenas de construtoras, milhares de empreiteiros, de profissionais, de gente capacitada e que domina tecnologias, para se habilitarem a trabalhar com seriedade, com correção, de forma limpa e transparente. Há investidores externos com recursos para aplicar no Brasil, mas que se sentem intimidados pela desordem e balbúrdia de nossas instituições. Essa é a hora da Polícia Federal, do Poder Judiciário, dos tribunais de contas e dos governos rodarem a baiana. Não dá mais para se conviver com tamanha desfaçatez como temos assistido há décadas no Brasil, em que a corrupção é o caminho natural para tudo que se pretenda no poder público, seja lícito ou não. Se você quer ter formalizado um expediente público que lhe é um direito, ou paga ou fica na fila, sem qualquer garantia de que o alcançará. Decisões e sentenças judiciais – o CNJ e as corregedorias dos tribunais superiores que o digam –, inúmeras vezes só são obtidas pela via do suborno. Nos espaços e instâncias restantes, se é público, a corrupção quase sempre é a solução, é a regra. Não é a exceção, independentemente da importância econômica do objeto, do grau de autoridade de quem a pratica, de classe social do agente ou beneficiado. O absurdo é tamanho que até mesmo o lugar na fila para se matricular o filho na escola pública, ou para se tirar a senha para uma consulta médica no SUS, tudo tem bola, tem suborno, tem preço. Chega! Se você quer um país diferente e justo, quer ter seus direitos respeitados, quer enxergar um futuro decente para toda nação, reaja, cobre, grite. Não se intimide e não aceite ser cúmplice da safadeza para que seus filhos e netos não paguem essa conta, que chega na certeza da miséria, da ignorância, da insegurança, da falta de saúde e de todas as formas de injustiça.

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