Uma despedida ao rio sem fim do Pink Floyd “The Endless River”, último álbum da lendária banda inglesa, homenageia Rick Wright Inéditas

“The Endless River”, último álbum da lendária banda inglesa, homenageia Rick Wright

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Remanescentes. A dupla David Gilmour e Nick Mason, os restantes da formação original do Floyd
Harry Borden
Remanescentes. A dupla David Gilmour e Nick Mason, os restantes da formação original do Floyd

Sem muitas firulas, é chegada a hora de dar adeus ao Pink Floyd. Sob o pretexto de um tributo ao tecladista Rick Wright, morto em 2008, David Gilmour e Nick Mason encabeçam “The Endless River” (Columbia), provavelmente o álbum que coloca definitivamente a tampa sobre o caixão de uma banda lendária. E de uma forma bem aquém do que a psicodélica inerente ao Pink Floyd sugere em mais de 50 anos de estrada.

O fato é que “The Endless River” – “o rio sem fim”, em tradução livre – é um apanhado de gravações minimalistas não aproveitadas do álbum de estúdio “The Division Bell” (1994), o último disco em que todos os integrantes do Floyd se juntaram em estúdio para compor, gravar e, claro, brigar. Até aí, um simbolismo bonito de se ver. Todas as canções foram garimpadas por Gilmour e Mason, em um material de aproximadamente 20 horas de gravações esquecidas. Com a ajuda dos produtores Phil Manzanera, Youth e Andy Jackson, eles criaram 18 faixas – sendo 17 delas instrumentais.

A única canção com letra do álbum, “Louder Than Words”, foi escrita pela esposa de David Gilmour, Polly Sampson, e ganhou um clipe com imagens representadas na capa do álbum: um barco flutuando em nuvens, possivelmente rumo ao “rio sem fim” sugerido pelo Pink Floyd neste ocaso de vida. Em quatro minutos e 44 segundos, a letra faz uma análise das cinco décadas de história da banda com passagens bem claras sobre isso (“nós reclamamos e brigamos / insultamos um ao outro à vista / mas essa coisa que fazemos... / esses momentos juntos...”).

O que poderia ser uma frustração para os fãs, acabou liderando as paradas britânicas, depois de quase 20 anos fora da seleção de sucessos, ao vender cerca de 140 mil cópias na primeira semana do lançamento, via Amazon. A justificativa pode estar na sincera homenagem a Rick Wright. O pianista até mostra vigor em “The Lost Art of Conversation” e a banda até ensaia um nível de psicodelia percussiva com “Skins”, mas nada além disso.

Em um apanhado de arranjos medianos e que nem de longe mostram o vigor daquele Floyd instigante, “The Endless River” explora ao máximo efeitos e bases de teclado que poderiam caber muito bem em trilhas de algum filme de Quentin Tarantino.

Só para constar, Roger Waters, que deixou a banda em 1987 com processos, injúrias e muitas brigas públicas, não se envolveu em nenhum momento no álbum.

Em suma, “The Endless River” sequer chega perto de qualquer obra-prima pregressa, como “The Piper At The Gates Of Dawn” (1967), “Dark Side Of The Moon” (1973) ou “The Wall” (1979). E nem tem essa pretensão. A impressão é que o Pink Floyd – ou o que restou do Pink Floyd – precisava encerrar uma das histórias mais veneradas do rock, e nada como presentear os fãs com qualquer som que possa lembrar os tempos áureos. Apesar disso, sem Syd Barrett – que se manteve na banda até 1968 – ou Roger Waters, o Pink Floyd soa incompatível com toda a carreira, e encerra sua trajetória com um pesar para os fãs, que não puderam ver todos os seus ídolos juntos para o último tchau.

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