Jacutinga quer ir além do tricô

Cidade do Sul de Minas Gerais conhecida como polo de malharias atrai indústrias variadas

iG Minas Gerais | Janine Horta |

Transição. Jacutinga, no Sul de Minas, para não ficar dependente das malharias, planeja diversificar a produção com um polo industrial
divulgação/prefeitura de jacutinga
Transição. Jacutinga, no Sul de Minas, para não ficar dependente das malharias, planeja diversificar a produção com um polo industrial

Jacutinga, cidade do Sul de Minas Gerais conhecida como um dos mais importantes polos de malharias do Estado, prepara-se para diversificar sua produção com o objetivo de sair da dependência do comércio de malhas e tricôs.

A prefeitura destinou um terreno de 125 mil metros quadrados às margens da MG-290, próximo ao perímetro urbano, para instalar o distrito industrial da cidade, ainda em fase de projeto. “Várias empresas já manifestaram interesse, do setor de alimentos, moveleiro, tecnologia, automotivas, dentre outras, cujos nomes estão sendo mantidos em sigilo até a efetivação das negociações. Vale dizer que já estão em pleno funcionamento a multinacional alemã Kathrein Automotive, a Neoplastic e a EBF Capacetes, gerando emprego e renda para a população jacutinguense”, destaca o prefeito Noé Francisco Rodrigues.

Somente para essas novas empresas que chegaram, somando com as que estão em negociação, serão cerca de 1.600 empregos diretos para a cidade, fora do setor de malharia.

Guilherme Engelmann, 25, que trabalhava em malharias – primeiro com o pai, e depois em outras empresas do setor – ingressou há cinco meses na Kathrein, fábrica de antenas de automóveis, logo que a empresa chegou à cidade. Mais que o salário melhor, os benefícios oferecidos pela empresa foram muito atrativos. “Já passei por três cursos de capacitação oferecidos pela empresa, inclusive em São Paulo”, conta Guilherme, satisfeito com a mudança.

Malharias. A necessidade de diversificação da produção veio com as recentes crises pelas quais passou o setor têxtil em geral e, em especial, as malharias. Elas foram prejudicadas pela concorrência com os produtos chineses e com o dólar baixo frente ao real nos últimos anos, o que favoreceu muito as importações. “Desde 1999 o setor vem caindo 5% ano a ano, principalmente devido à concorrência chinesa, mas também em função da ausência dos invernos rigorosos e de um dólar relativamente baixo, o que favoreceu os importados da Ásia em geral. Agora, com a retomada da alta do dólar, a cidade já registra recuperação. Já recebemos encomendas dos grandes magazines e esperamos um crescimento de 25% neste ano em relação a 2013”, explica o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Jacutinga (Acija), Dennys Bandeira.

O setor teve que se adaptar, houve uma transformação das malharias, explica Bandeira, com a produção de malhas mais voltadas para roupas de verão. “As malharias passaram a produzir o ‘fast-fashion’, ou moda rápida, trocando as coleções semanalmente, ou até diariamente, levando ao consumidor as últimas tendências com preços acessíveis”, analisa Bandeira.

Jacutinga está hoje entre as três maiores exportadoras de vestuário de malhas de Minas Gerais. Exporta para cerca de 30 países e domina cerca de 30% da produção nacional das malhas retilíneas, mais conhecidas como tricô, detalha Bandeira. “Temos 1.100 malharias de pequeno porte, a maioria com quatro a cinco máquinas. Apesar da força do setor aqui na cidade, realmente não podemos ficar dependentes de um só produto”, conclui.

Indústrias

Implantação. De acordo com a prefeitura de Jacutinga, Olga Color, Rodofort, Crunch Oil, Minas Pack, Futura Medicamentos são algumas das novas empresas já confirmadas.

“Temos 1.100 malharias de pequeno porte, a maioria com 4 a 5 máquinas. Apesar da força do setor, realmente não podemos ficar dependentes de um só produto.”

Dennys Bandeira - Presidente da Associação comercial de Jacutinga

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