Corrupção nas empreiteiras ameaça o crescimento do país

Novas licitações poderão ser adiadas e projetos em andamento podem reduzir seu ritmo

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Incertezas. Consórcio construtor de Belo Monte é composto por empresas como Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão e Odebrecht
Douglas Magno.FOTO: Douglas Magn
Incertezas. Consórcio construtor de Belo Monte é composto por empresas como Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão e Odebrecht

O crescimento do país está ameaçado pela operação Lava Jato, que levou para a prisão os responsáveis pelas maiores empreiteiras do país. Envolvidas em todas as grandes obras de infraestrutura e candidatas naturais a levarem as futuras licitações individualmente ou como integrantes de consórcios, essas construtoras não têm concorrentes aptos a assumirem esses empreendimentos. “As empresas menores não conseguem atender a essa demanda por grandes obras”, diz o professor de economia do Ibmec Minas Márcio Salvato.

Ele explica ainda que as empresas estrangeiras, não podem, por lei, assumir as obras sozinhas, apenas em consórcios formados também por brasileiras. Neste caso, as brasileiras seriam as mesmas que estão envolvidas no escândalo de corrupção na Petrobras. Por isso, Salvato acredita que novas licitações poderão ser adiadas e as obras em andamento podem reduzir seu ritmo.

Estão envolvidas na operação Lava Jato as empreiteiras Camargo Corrêa,Queiroz Galvão, OAS, Iesa, Engevix, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, UTC e Odebrecht. Entre as grandes obras tocadas por essas empreiteiras estão as maiores do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como a transposição do São Francisco, a ferrovia Norte-Sul, as usinas Jirau (RO), Santo Antônio (RO) e Belo Monte (PA) e o Rodoanel de São Paulo.

Para o professor de economia da Fumec Alexandre Pires, as consequências da operação Lava Jato irão além dos efeitos imediatos no andamento das obras. “Vai mudar definitivamente a maneira de fazer negócios no país”, afirma. Ele acredita que, para fechar novos contratos seja com iniciativa privada, seja com o setor público, essas empresas terão que apresentar garantias de que serão capazes de tocar as obras mesmo se sofrerem multas ou tiverem suas notas rebaixadas por agências de risco.

Ele também diz que ficará mais difícil fazer contratos superfaturados ou pagar propina. “Vão pensar duas vezes, porque a investigação hoje é na Petrobras, mas pode ser ampliada”, afirma.

Impacto. Ainda não é possível mensurar o impacto da operação Lava Jato nos investimentos do país, segundo os especialistas. “Sem sombra de dúvidas, vai ter impacto, mas mensurar isso é complicado”, diz Alexandre Pires. “Com certeza teremos desaquecimento”, diz Márcio Salvato.

“Parte do lucro obtido na realização da obra é comumente repassada para agentes do setor público ou privado que se esforçaram para viabilizá-la ou torná-la mais célere ou rentável.”

Pedro Henrique Pedreira Campos - Trecho da Tese de doutorado “A Ditadura das Empreiteiras”

Saiba mais

Obras que têm participação das construtoras envolvidas na operação Lava Jato:

Refinaria Abreu e Lima

Transposição do rio São Francisco

Rodoanel de São Paulo

Ferrovia Norte-Sul

Usinas Jirau

Usina Santo Antônio

Hidrelétrica Belo Monte

Obras que estão previstas para 2015 e que podem sofrer atrasos:

Concessão de aeroportos (Recife, Salvador, Vitória e Porto Alegre eram os mais cotados para a próxima rodada de licitações)

Início do programa de concessão de ferrovias

Alguns trechos de concessão rodoviária

Contratos do pré-sal

As construtoras envolvidas nas investigações:

Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS, Iesa, Engevix, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, UTC e Odebrecht. Fonte: Pesquisa

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave