“E como é que elas ganham? Por meio do suborno”

Rita Biason - Coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas sobre a Corrupção da Unesp

iG Minas Gerais |

Diante das investigações da operação Lava Jato, qual a conclusão que podemos chegar sobre a corrupção no Brasil? Eu vejo três eixos de fragilidade presentes nesse caso: a questão da licitação, o financiamento de campanha e o lobby. Você tem empreiteiras que são assíduas nos escândalos de corrupção, aparecem pelo menos desde a década de 80, o que evidencia a fragilidade em torno das licitações. Como é que elas ganham as obras? Por meio do suborno aos políticos.

Como podemos pensar uma alternativa a esse modelo de licitações atual?

Uma coisa que seria interessante é introduzir uma lógica parecida à do pregão eletrônico, que é feito para pequenos produtos. Nessa lógica você fixa um preço e não parte do menor preço oferecido pela empresa. Uma nova abertura de compras de uma obra em curso dá brecha para a corrupção. Em uma lógica como a do pregão eletrônico, teríamos mais empresas participando do processo e mais transparência.

A outra questão é uma mudança no financiamento das campanhas?

Sim. É um tema dúbio. Acredita-se que o financiamento público resolveria todos esses problemas. Eu não sei se resolveria. Cabe ao Congresso analisar e melhorar a questão do caixa 2.

A operação Lava Jato prendeu um lobista, que dizem ser o elo do PMDB com o esquema na Petrobras. Qual a solução para o lobby? Eu acho que criminalizamos e proibimos o lobby ou aprovamos a atividade no modelo norte-americano. Até mesmo para que o eleitor saiba que o deputado que ele elegeu trabalha para o lobby tal. Nos EUA, os lobistas são credenciados, existem associações. (LP)

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