Suspeitas tocam obras em MG

Contratos com empresas investigadas por desvios da Petrobras chegam a R$ 1,7 bilhão

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

OAS. Empreiteira recebeu R$ 250 milhões para fazer as obras da Estação da Cultura Presidente Itamar Franco, em Belo Horizonte
Wellington Pedro/Imprensa MG
OAS. Empreiteira recebeu R$ 250 milhões para fazer as obras da Estação da Cultura Presidente Itamar Franco, em Belo Horizonte

Desde que Antonio Anastasia (PSDB) assumiu seu segundo mandato como governador, em 1º de janeiro de 2011, até deixar o cargo para Alberto Pinto Coelho (PP) em 4 de abril deste ano, o governo de Minas firmou contratos de cerca de R$ 1,7 bilhão com sete das empreiteiras citadas na operação Lava Jato, da Polícia Federal. O levantamento leva em conta os registros do “Diário Oficial do Estado”, desde o primeiro dia do segundo mandato do tucano até hoje. Em geral, os contratos foram firmados com a Copasa, a Cemig e a Codemig.

A Odebrecht Ambiental, braço do Grupo Odebrecht, lidera o ranking das empreiteiras com contratos mais caros com o Executivo estadual. Em outubro de 2013, a empresa venceu uma licitação para realizar obras de ampliação do sistema produtor do rio Manso, responsável pelo abastecimento de água em Belo Horizonte e região metropolitana. O contrato ficou em R$ 693 milhões. Ao contrário de outras sete empreiteiras, nenhum dirigente da Odebrecht foi preso durante a sétima fase da operação Lava Jato, deflagrada há pouco mais de uma semana. No entanto, no mesmo dia, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na sede da companhia no Rio de Janeiro.

A Camargo Corrêa levou, em dois contratos, mais de R$ 500 milhões. Um contrato no valor de R$ 370 milhões é para a modernização da Usina Hidrelétrica (UHE) de São Simão, que fica entre os municípios de Santa Vitória (MG) e São Simão (GO). O outro contrato é para “fornecimento parcial de materiais, das obras e serviços” do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Ibirité, na região metropolitana. O preço: R$ 120 milhões. O presidente e o vice da Camargo Corrêa foram presos.

Entre diretores e presidentes, a construtora OAS teve cinco executivos presos na Lava Jato. A empreiteira faturou quase R$ 250 milhões do governo do Estado nas obras da Estação da Cultura Presidente Itamar Franco, em Belo Horizonte.

A Queiroz Galvão recebeu R$ 148 milhões para construir o prédio de serviços da Cidade Administrativa. No processo seletivo, a construtora apresentou preço menor do que o da Norberto Odebrecht.

Além dessas quatro, outras quatro companhias tiveram contratos firmados com o governo do Estado, com valores menores que R$ 100 milhões.

A Mendes Júnior venceu licitação para requalificar o córrego Ferrugem, em Contagem. O contrato foi firmado em R$ 60 milhões.

A Constran, empresa do grupo UTC Engenharia, venceu a concorrência para uma obra em Pouso Alegre e outra em Belo Horizonte. Os dois contratos ficaram em R$ 53 milhões.

Já a Galvão Engenharia ficou responsável por uma obra da Gasmig, no Vale do Aço, no valor de R$ 1 milhão.

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