Manifesto online pede respeito

Representatividade é arma para iniciar maior aceitação de gordos na sociedade

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Campanha. Brasil desperta para a necessidade de combater o preconceito contra os gordos
Reprodução
Campanha. Brasil desperta para a necessidade de combater o preconceito contra os gordos

Na semana passada, milhares de brasileiros se indignaram com uma postagem ‘gordofóbica’ de um policial militar do Distrito Federal. O homem publicou em seu perfil no Facebook um depoimento em que chamou as misses plus size de “saco de toucinho”, “criaturas bizarras” e afirmou que mulheres gordas são “a pior obra de engenharia que Deus lançou sobre a terra”.

Os usuários da rede reagiram ao preconceito: desde a última segunda-feira, proliferaram selfies em que as pessoas posam fazendo o sinal de silêncio. O gesto imita aquele feito pelas misses Brasil plus size no Congresso Nacional no último dia 11, com a mensagem para a sociedade calar as manifestações ‘gordofóbicas’.

Apesar de simbólico, o ato tem grande importância para quem se sente intimidado pela cultura da magreza. “Se eu fosse escolher (os maiores) proferidores (de mensagens preconceituosas), eu diria que são as propagandas e revistas femininas em geral, pela afirmação de uma magreza que não é real. O ‘prepare-se para o verão’ tem um peso preconceituoso muito forte, subentende-se que o corpo gordo tem que se esconder”, afirma a gerente de marketing Tereza Dias.

A jornalista Nádia Lapa, 35, autora do blog e do livro “Cem Homens”, também se incomoda com a representação dos gordos na televisão. “Acho péssimos os reality shows que mostram pessoas tentando emagrecer. Eles estão torturando aquelas pessoas. Pedem ao gordo coisas que são muito difíceis de se atingir”, critica.

Para elas, aumentar a representatividade é o primeiro passo para começar a dissipar a gordofobia. “Hoje eu só faço comercial de moda plus size. Não faço um comercial de xampu, pasta de dente. É como se pessoas gordas não consumissem esse tipo de produtos”, condena a Miss Plus Size Baixada Santista, Flávia Gon Soares.

Conteúdo. Blogs e sites escritos para quem está acima do peso considerado ideal cumprem um papel importante. Ana Paula Barbi, 31, começou a escrever para mulheres gordas quando se deu conta da importância da representatividade para esse público. “Ver uma pessoa gorda representada positivamente é fundamental”, afirma ela, que é editora do blog Lugar de Mulher.

Editor do portal Papo de Gordo, Eduardo Salles Filho, 38, também se dirige a esse público, e usa o humor para combater a gordofobia. “Muitos gordos perceberam no humor a ferramenta para evitar o preconceito. É mais difícil fazer bullying ou pegar no pé de uma pessoa quando ela é simpática e adorada por todos”, reflete.

“A obesidade não é uma doença, é um tamanho de corpo. Devíamos focar em aconselhar sobre estilos de vida saudáveis para pessoas de todos os tamanhos. Há magros sem saúde e gordos saudáveis.”

Deborah Lupton - Autora do livro “Fat”

Dados

Acima do peso. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 17,5 da população é obesa e 50,8% têm sobrepeso. Entre as crianças, 30% têm sobrepeso e metade desse número é de obesas.

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