Pelo olhar de Armandinho

Alexandre Beck, autor da tirinha “Armandinho”, comenta sua passagem por BH e antecipa que deve voltar em 2015

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Wahington Alves/Light Press
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Até participar da quarta edição da Bienal do Livro de Minas, que se encerra hoje, Alexandre Beck não pisava em Belo Horizonte desde 1999, quando esteve aqui em razão de um encontro promovido pela União Nacional dos Estudantes. Naquela época, ele conheceu poucos lugares da cidade, circulando apenas pela UFMG e pelo Mineirinho, onde, inclusive, viu uma palestra de Fidel Castro.

“Eu não tinha passado nem pelo centro da cidade. Desta vez, eu consegui dar uma caminhada, conhecer algumas praças e a lagoa da Pampulha”, diz o quadrinista autor da tirinha “Armandinho”. Embora tenha demorado 15 anos para voltar à capital mineira, outro intervalo tão grande não deve acontecer. Beck conta que pretende retornar em breve e adianta que foi convidado para o próximo Festival Internacional dos Quadrinhos (FIQ), a ser realizado em 2015. “Eu gostaria muito de retornar porque sinto que fiquei em débito com as pessoas daí”, diz Beck, em entrevista ao Magazine, por telefone.

A dívida, de acordo com ele, foi provocada por erro de cálculo. O quadrinista veio de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde vive, com 300 livros na bagagem. Em função da procura, ele acredita que a quantidade foi pouca. Os exemplares dos quatro volumes já publicados com as peripécias do seu mais conhecido personagem se esgotaram em cerca de duas horas. “Esse não é um número muito grande, de fato, e eu sinto que acabei decepcionando quem foi lá. Eu fiquei um pouco surpreso com a recepção do público de Belo Horizonte. Havia muita gente interessada, e isso me fez querer voltar a cidade”, afirma Beck. Entre sábado e domingo passados, ele diz ter ficado cerca de seis horas em sessão de autógrafos.

O sucesso ele atribui ao carisma de Armandinho, que fez a sua estreia em 2010, no “Diário Catarinense”. Naquele ano, o garoto conhecido por questionar o mundo dos adultos com sua visão singular ainda não tinha nome. Foi um concurso feito para os leitores do diário que permitiu o batizado. “Quem sugeriu Armandinho foi uma professora. Ela disse que ele deveria se chamar assim porque sempre estava armando alguma coisa, e gostei disso”, afirma.

De 2010 para cá, o formato da tirinha, frisa ele, segue o mesmo. Os traços nunca revelam partes dos adultos além das pernas e o humor prevalece sobre a ironia.

“Já me pediram para desenhar o rosto dos pais dele. Eu cogitei isso numa época, mas depois desisti. Do jeito que está favorece a percepção de que estamos diante do olhar de uma criança, do ângulo que ela percebe o mundo. Outra coisa que evito é o sarcasmo e a ironia. Não acho que o caminho seja por aí, não gosto disso”, comenta Beck.

Armandinho é comparado a outros personagens como Mafalda, do argentino Quino, e Calvin, do norte-americano Bill Watterson. Beck, no entanto, não gosta de fazer paralelos. Ele sublinha que traços da personalidade de sua criação encontram afinidade com o seu próprio jeito de lidar com os diversos aspectos da vida.

“As pessoas comentam isso de ele ser parecido com a Mafalda. Eu não sei, eu sempre fui muito questionador e quando o criei, eu pensei muito naquela fase que as crianças ficam indagando o porquê das coisas. Os adultos perdem isso. Então, o meu desafio, via Armandinho, é manter isso vivo. Outra inspiração são meus filhos. Eu aprendo com eles o tempo todo”, explica.

Sobre suas referências, ele destaca o livro “O Pequeno Nicolau”, escrito por René Goscinny e ilustrado por Jean-Jacques Sempé, que ouvia a sua avó ler quando criança. “É um livro feito pelos mesmos autores da série ‘Asterix’ e tem a qualidade de contar a história do mundo pelo ponto de vista da criança. Eu acho que Armandinho tem muito disso. Eu conheci esse livro com 7 anos e aquela leitura deve ter ficado dentro de mim até eu repassar um pouco daquilo para ele”, conclui.

Saiba mais

Desde o fim do ano passado

começaram a ser publicados os livros com as tirinhas de Armandinho. Já saíram quatro, que até agora eram comercializados apenas pela internet. Após atingir a marca de 10 mil vendidos, eles chegam às livrarias. Em 2015, Alexandre Beck deve lançar o quinto volume. Ele pretende fazer isso durante o FIQ.

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