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Atriz estreou na televisão em 2009, em “Viver a Vida”, e logo depois atuou em “Fina Estampa”, folhetim de 2011

iG Minas Gerais | caroline borges |

Teatro. Apesar da pouca idade e de apenas três novelas no currículo, Adriana tem um longo trabalho no teatro
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Teatro. Apesar da pouca idade e de apenas três novelas no currículo, Adriana tem um longo trabalho no teatro

Adriana Birolli encara seu trabalho com paixão. E é através de seus expressivos olhos azuis que a intérprete da ácida Amanda, de “Império”, evidencia o orgulho por sua ascendente trajetória na TV. Depois de ganhar repercussão com seu primeiro papel fixo em “Viver a Vida”, de 2009, ela integrou o elenco de “Fina Estampa”, em 2011, e agora está no ar na atual trama de Aguinaldo Silva, após ter interpretado a vilã Maria Marta, papel de Lília Cabral, na primeira fase do folhetim da Globo. A atriz de 28 anos é taxativa quanto ao fator sorte por ter acumulado, em relativamente pouco tempo de carreira, apenas folhetins do horário nobre. “Tive a estrela de cair nas graças de autores e diretores conceituados. Foram papéis muito fortes e que ficaram na mente do público. A carreira na televisão é muito vulnerável. Estou sempre à mercê dos convites”, afirma ela, que acredita ter maior controle de sua trajetória nos palcos. “No teatro, sou atriz e produtora. Tenho as rédeas do que quero ou não fazer”, ressalta. Você interpretou a Maria Marta, personagem da Lília Cabral, na primeira fase. Como foi seu método de trabalho para construir duas personagens diferentes em uma mesma trama? Primeiro, foquei apenas na Maria Marta. Até porque era um trabalho muito referencial com a Lília (Cabral). Então, a gente precisava manter essa unidade na forma de falar, andar e agir nas duas fases da história. Era preciso que o público visse um amadurecimento na personagem. Mas é claro que as nossas semelhanças físicas ajudaram também (risos). Depois, só pensei na Amanda quando já tinha gravado todas as minhas cenas como Maria Marta. Aliás, soube as informações sobre meu segundo papel tempo depois. Assim como a personagem de Lília, Amanda é bastante irônica e ácida. Como foi seu período de composição? Eu gosto de me basear em filmes antigos. Tenho um acervo de DVDs que uso para referências de trabalho. Pautei a Amanda através de uma personalidade mais malvada. Foi uma inspiração em vilãs mesmo. Existiu algum trabalho para marcar a diferença entre os dois papéis? Sim. A caracterização foi um ponto fundamental. O próprio Aguinaldo sugeriu que eu voltasse loura e com os cabelos mais curtos. Isso ajudou a dar um toque de modernidade e jovialidade ao novo papel. A Maria Marta era uma personagem dos anos 80, com cabelão, sobrancelhas grossas e maquiagem. Era paulista e tinha um leve sotaque. Isso foi bom parar marcar a diferença entre as duas logo de cara. Mas eu não construí um trabalho para depois me virar em outro. Tentei manter uma linha entre o contexto dos dois papéis. Como assim? A ideia é que as duas personagens tenham traços semelhantes na personalidade, mas sejam pessoas totalmente diferentes e ninguém fale: “Nossa, voltou a mesma coisa no quesito atuação”. Elas são tia e sobrinha, precisavam ter detalhes em comum no jeito de pensar e agir. O caráter é o mesmo. Você já tinha uma carreira de 14 anos no teatro antes de estrear na TV. Como se deu seu interesse pelo veículo? Simplesmente aconteceu. Eu não fui atrás. O Leo Gama, produtor de elenco, viu meu espetáculo em Curitiba e me chamou para uma reunião. Acabei fazendo uma seleção para a Oficina de Atores da Globo, passei e fiquei contratada da emissora por dois anos como oficineira. Logo depois, surgiu a oportunidade para o teste de “Viver a Vida”. Acho que me preparei a vida inteira para essa oportunidade. Não fiquei ansiosa ou neurótica para fazer TV logo. Mas você teve algum problema para se adaptar à linguagem da televisão após anos nos palcos? A minha sorte é que a Isabel, de “Viver a Vida”, era muito irônica e meus personagens no teatro foram muito por essa vertente. Então, fui coroada com aquilo que eu fiz minha vida inteira. Mas, na minha estreia na TV, nem me preocupei com a linguagem do veículo. Estudava meu papel e fazia. Depois que fui pensar nisso e prestar atenção nos ajustes que deveriam ser feitos. Mas isso é uma estrada eterna. Atores estão sempre insatisfeitos.

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