Planalto critica reportagem da Veja sobre mensagem para Dilma

Nota do governo acusa publicação de realizar "mais um episódio de manipulação jornalistica" em sua nova edição

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Planalto emitiu nota contestando as informações publicadas.
Reprodução Internet / Divulgação
Planalto emitiu nota contestando as informações publicadas.

O Palácio do Planalto criticou, em nota divulgada neste sábado (22), reportagem publicada na última edição da revista "Veja" sobre uma mensagem enviada, em 2009, pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa para a presidente Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil.

Um dos delatores do esquema de desvio de recursos da estatal, desbaratado pela Polícia Federal, Costa informa no e-mail enviado para Dilma que o TCU (Tribunal de Contas da União) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal.

O tribunal pediu o cancelamento de repasses para a construção e a modernização das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, além do terminal do Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. As duas primeiras obras são apontadas atualmente como fonte de parte dos recursos que foram desviados da Petrobras.

"A reportagem de capa da revista 'Veja' de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos", afirmou a Secretaria de Imprensa do Planalto na nota divulgada no blog da instituição.

"Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, 'Veja' tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa", acrescenta o Planalto, lembrando que o executivo foi demitido em março de 2012 pelo governo Dilma.

Na nota, o governo afirmou ainda que as "práticas ilegais" do ex-executivo da Petrobras só foram conhecidas em 2014, "graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público".

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DO PLANALTO:

"A reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.

Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.

As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Aos fatos:

Em 6 de novembro de 2014, Veja procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informando que iria publicar notícia, "baseada em provas factuais", de que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu mensagem eletrônica do senhor Paulo Roberto Costa, então diretor da Petrobras, sobre irregularidades detectadas em 2009 pelo Tribunal de Contas da União nas obras da refinaria Abreu e Lima. O repórter indagava que medidas e providências foram adotadas diante do acórdão do TCU. A revista não enviou cópia do e-mail.

No dia 7 de novembro, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República encaminhou a seguinte nota para a revista:

'Em 2009, a Casa Civil era responsável pela coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, relatórios e acórdãos do TCU relativos às obras deste programa eram sistematicamente enviados pelo próprio tribunal para conhecimento da Casa Civil.

Após receber do Congresso Nacional (em agosto de 2009), do TCU (em 29 de setembro de 2009) e da Petrobras (em 29 de setembro de 2009), as informações sobre eventuais problemas nas obras da refinaria Abreu e Lima, a Casa Civil tomou as seguintes medidas:

a. Encaminhamento da matéria à Controladoria Geral da União, em setembro de 2009, para as providências cabíveis; b. Determinação para que o grupo de acompanhamento do PAC procedesse ao exame do relatório, em conjunto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras;_ c. Participação em reunião de trabalho entre representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento, Petrobras e MME, após a inclusão da determinação de suspensão das obras da refinaria Abreu e Lima no Orçamento de 2010, aprovado pelo Congresso.

Nesta reunião, realizada em 20 de janeiro de 2010, 'houve consenso sobre a viabilidade da regularização das pendências identificadas pelo TCU' nas obras da refinaria Abreu e Lima (conforme razões de veto de 26 de janeiro de 2009). Foi decidido, também, o acompanhamento da solução destas pendências, por meio de reuniões regulares entre o MME, o TCU e a Petrobras.

A partir daí, o Presidente da República decidiu pelo veto da proposta de paralisação da obra, com base nos seguintes elementos:

1) a avaliação de que as pendências levantados pelo TCU seriam regularizáveis; 2) as informações prestadas em nota técnica do MME que evidencia os prejuízos decorrentes da paralisação; e 3) o pedido formal de veto por parte do então Governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Este veto foi apreciado pelo Congresso Nacional, sendo mantido.

A partir de 2011, o Congresso Nacional, reconhecendo os avanços no trabalho conjunto entre MME, Petrobras e TCU, não incluiu as obras da refinaria Abreu e Lima no conjunto daquelas que deveriam ser paralisadas.

E a partir de 2013, tendo em vista as providências tomadas pela Petrobras, o TCU modificou o seu posicionamento sobre a necessidade de paralisação das obras da refinaria Abreu e Lima'.

A inconsistência da reportagem de Veja é evidente. As pendências apontadas pelo TCU nas obras da refinaria Abreu e Lima já haviam sido comunicadas, em agosto, à Casa Civil pelo Congresso e foram repassadas ao órgão competente, a CGU. Como fica evidente na nota, representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento do.

Congresso, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia discutiram a solução das pendências e, posteriormente, o Congresso Nacional concordou com o prosseguimento das obras na refinaria.

Mais uma vez, Veja desinforma seus leitores e tenta manipular a realidade dos fatos. Mais uma vez, irá fracassar."

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