Congressistas dizem que doações foram legais e definidas pelos partido

"Nenhuma empresa trabalha na Petrobras sem propina", afirmou o deputado eleito José Carlos Aleluia (DEM-BA)

iG Minas Gerais | Da redação |

A maioria dos políticos que integram a lista dos que mais receberam doações das empresas investigadas pela Polícia Federal ressaltaram que os repasses foram legais e que não havia até então suspeitas contra as companhias.

Os três deputados do PP do Paraná deram respostas similares: que o recurso foi definido pela direção nacional do partido e que não houve nenhum contato deles com as empresas.

O senador eleito Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que é amigo de dirigentes das três empreiteiras que lhe direcionaram doações, todas da Bahia, e defendeu amplo direito de defesa a elas. Mas ressaltou que não tem compromisso com eventuais erros de seus diretores.

"Tenho visto nesses casos muitos presos serem soltos amanhã como inocente. Tem muita pirotecnia nesse negócio, uma dessas pessoas que faz essa delação é do submundo do crime. Agora, não tenho compromisso com erro de ninguém."

O deputado Lucio Vieira Lima disse que as doações que recebeu não têm nenhuma influência em sua atuação na CPI da Petrobras e que nenhum de seus doadores pediu nada em troca nem teve abertura para isso.

"A doação pode influenciar quem seja venal, eu não sou."

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) afirmou, via assessoria, que procurou diretamente a UTC porque ele é egresso da indústria naval e a empresa atua na área. "Na época [...] não havia, que fosse de conhecimento geral, qualquer suspeita ou investigação em curso."

Carlos Zaratinni (PT-SP) afirmou que pediu pessoalmente as doações à OAS e à UTC e que não há reflexo no mandato. "As doações foram absolutamente legais, não operamos nenhum contrato nem nada disso, não vejo problema".

A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) não retornou ao contato. A reportagem não conseguiu falar com Paulo Rocha (PT-PA).

O senador eleito Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou que procurou essas e outras mais de 50 empresas "conforme permite a lei eleitoral". "As empresas eram consideradas idôneas e aptas a contribuir. Não cabe ao financiador responder pelas minhas ações no Parlamento."

O deputado Alberto Fraga (DEM-DF) disse que foi procurado pela direção da UTC, que ofereceu as doações, mas que não conhece os investigados e que não sabia de suspeitas contra as empresas na época. Alexandre Leite disse que as doações foram definidas pelas direções municipal, estadual e nacional do DEM.

O deputado eleito José Carlos Aleluia (DEM-BA) afirmou que conhece alguns dos empresários acusados e que percebeu "o constrangimento deles e de outros com a regra que passou a imperar" nas gestões do PT. "Nenhuma empresa trabalha na Petrobras sem propina."

A assessoria de Anastasia afirmou que ele está em viagem e está incomunicável. A de José Serra não respondeu ao contato da reportagem. 

Folhapress

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