Assistência social será ampliada para reduzir população de rua

Agentes farão planos individuais de ação visando à reinserção familiar e ao mercado de trabalho

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Abordagem. 
Indicação ao tratamento contra a dependência química também poderá acontecer se ficar constatada necessidade
ANGELO PETTINATI / O TEMPO
Abordagem. Indicação ao tratamento contra a dependência química também poderá acontecer se ficar constatada necessidade

 

Áreas da capital com grande concentração de moradores de rua receberão, a partir de 2015, pontos de atendimento de assistência social que terão profissionais capacitados para fazer o diagnóstico da situação de cada indivíduo abordado e determinar um plano de intervenção para que ele consiga deixar tal condição, principalmente se for usuário de drogas.

A ação é a principal aposta da Prefeitura de Belo Horizonte para reduzir o crescimento dessa população, que segundo o último censo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostrou alta de 57% em oito anos. O número de moradores de rua passou de 1.164, em 2005, para 1.827, em 2013.

O chamamento público que escolherá a entidade a prestar esse serviço em parceria com a prefeitura foi publicado ontem no “Diário Oficial do Município” (DOM). Os interessados poderão apresentar suas propostas entre 28 deste mês e 3 de dezembro. O Executivo irá declarar a escolhida em 23 de dezembro, após levar em conta oito critérios técnicos.

O atendimento será feito por meio de três unidades móveis dos Centros de Referência Especializados da Assistência Social (Creas) ao custo de R$ 1,6 milhão anual. O edital prevê o trabalho para até cinco anos.

Cada um desses veículos atenderá três regionais da capital, contemplando as nove existentes na atual divisão administrativa. A abordagem será feita em tendas que serão montadas cada dia em uma área, e a equipe contará com um psicólogo, um assistente social e dois ou três educadores, que serão responsáveis por criar ações lúdicas visando atrair os moradores.

“A abordagem vai ser sempre ativa. Vamos em busca do contato com as pessoas que estão naquela situação. A partir daí, vamos utilizar de atividades musicais, teatrais e de outras artes para convencer o atendimento. A ideia é fazermos o estudo de caso de cada morador e ver como poderemos atuar naquela situação”, explicou a gerente de inserção especial da Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social, Robélia Ursine.

Cada caso demandará um tipo específico de atendimento, mas o objetivo é conseguir com que essas pessoas sejam reinseridas no núcleo familiar, quando isso for possível, ou fazer com que sejam reinseridas no mercado de trabalho e alcancem a moradia. Se for identificada a necessidade, da pessoa pode ser indicada para tratamento.

Prazos

Prioridade. As regionais Centro-Sul, Leste e Nordeste serão as primeiras a receber o serviço, ainda no primeiro semestre de 2015. As demais regiões contarão com atendimento no segundo semestre.

Saiba mais sobre o censo

Drogas. O Censo da População de Rua feito pela UFMG mostrou que, do total de moradores nesta situação, 69% bebem todos os dias, 32% usam crack e 48% não usam nenhum tipo de droga.

Causas. Os problemas familiares foram apontados como a principal causa para que essas pessoas deixassem suas casas e fossem para as ruas. Esse foi o motivo alegado por 52% dos entrevistados. O alcoolismo veio na sequência, com 44%, e falta de lugar para morar, 36%.

Depressão. Quase metade dos moradores está longe de se sentir feliz na rua. Pelo contrário, 43% deles apresentaram depressão. Outros 5% têm algum transtorno mental e 13% apresentam algum tipo de deficiência física.

Localização. A grande maioria dos moradores de rua está na área central de Belo Horizonte. De acordo com o censo, 44,8% passam a maior parte do tempo na região Centro-Sul.

Gênero e cor. Quase 90% dos moradores de rua são homens e 80% se autodeclararam pardos ou negros. Outros 40% já estiveram presos, e 44% já sofreram algum tipo de violência física, sexual ou foram alvos de furtos. Ao todo, 70% já tiveram carteira assinada, e 31% recebem o Bolsa Família.

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