As mulheres de Caymmi

Teresa Cristina e João Cavalcanti abrem projeto que celebra centenário de nascimento de sambista, no CCBB

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Intimidade. Teresa Cristina canta Caymmi desde que começou sua carreira, nos idos de 1998
Studio Washington Possato
Intimidade. Teresa Cristina canta Caymmi desde que começou sua carreira, nos idos de 1998

Não tem como falar da história da música brasileira sem lembrar de Dorival Caymmi (1914-2008). O poeta e músico cantou temas urbanos, a cultura praieira e o amor de uma forma única para a época, unindo a tradição do samba da Bahia a arranjos modernos. Sua importância para o cenário musical vem sendo lembrada no decorrer deste 2014, quando o artista completaria 100 anos de idade.

Entre as comemorações, está a série de apresentações do projeto Caymmi, Quando Se Canta Todo Mundo Bole, que chega ao Centro Cultural Banco do Brasil a partir de hoje.

A proposta do projeto é a de expressar todas as facetas de Caymmi por meio de suas músicas. Baseadas nisso, as curadoras Camila Costa e Natália Guimarães montaram três apresentações, cuja a primeira, “Requebre Que Eu Dou Um Doce”, acontece hoje e amanhã.

Nessa incursão à vida do artista, o público ouvirá um repertório que procura elucidar o modo como as mulheres foram retratadas nas letras do baiano. A interpretação das canções fica por conta de João Cavalcanti e Teresa Cristina. “É importante realçar esse universo feminino dele, pois o olhar que ele tinha sobre a mulher era muito diferente daquele vigente quando escreveu as canções. Ele descreve a beleza da mulher de uma maneira completamente sedutora, mas com um olhar natural, observando o andar e a fala, por exemplo, em vez de priorizar apenas os contornos do corpo”, diz Teresa.

Sobe ao palco com ela o produtor musical e cantor João Cavalcanti. “Estava tocando em um bar em 2001, quando ela chegou. Lembro que, na hora, todos da banda ficaram muito nervosos, pois Teresa já era conhecida e respeitada na época. Depois disso, começamos a conversar e as parcerias, apresentações em conjunto e amizade vieram como tempo. É sempre uma alegria estar no palco com ela”, lembra o cantor.

Além da parceria, ele destaca a formação instrumental proposta pelo diretor musical Carlos Pontual como uma ousadia. “A banda conta com violão, baixo acústico, percussão e trombone. Essa constituição não é usual, mas deu muito certo e tornou o show ainda mais lindo”, diz.

O repertório do show é composto por canções emblemáticas de Caymmi e outras que passam mais desapercebidas, como “Dora”. “Essa chama muito atenção, eu a acho linda. Também gosto muito de ‘Alegre Menina’ por ser uma síntese importante não só das figuras femininas, mas do coloquialismo visto no repertório dele”, diz o intérprete.

Foi ao utilizar essa informalidade que Caymmi conseguiu imprimir na música, explica Cavalcanti, um de seus maiores trunfos. “Antes dele, notava-se na música brasileira uma predominância por letras sofisticadas. Depois, porém, as letras mais orais começaram a se difundir na música e tornaram-se quase uma regra. A sofisticação na letras de Caymmi estava na harmonia e nas melodias”, diz o músico, que compara o ídolo a Pixinguinha e a Tom Jobim: “Você pode dividir a música antes de depois deles, estão no olimpo da música brasileira”, diz.

Nos próximos dois fins de semana, o Centro Cultural Banco do Brasil recebe outros duos formados, respectivamente, por Camila Costa e Bem Gil, e Alice Caymmi e Danilo Caymmi, para dar sequência à homenagem.

Agenda

O quê. Projeto Caymmi, Quando Se Canta Todo Mundo Bole, com Teresa Cristina e João Cavalcanti

Quando. Hoje e amanhã, às 19h

Onde. Centro Cultural Banco do Brasil (praça da Liberdade, 450, Funcionários)

Quanto. R$ 10 (inteira)

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