A necessária desconstrução

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Grupo Magiluth (PE) reflete antagonismos em peça
Maurício cuca/DIVULGAÇÃO
Grupo Magiluth (PE) reflete antagonismos em peça

O preto e o branco, o bem e o mal, a cara e a coroa. Nada é tão absoluto que não tenha um outro lado. Gregório é um homem angustiado com as certezas que regem sua vida em sociedade. “É preciso ser sempre bom? Afinal, o que é ser bom?”, indaga ele, sozinho em seu canto. Quer dizer, não tão sozinho assim.

O protagonista da peça “O Canto de Gregório”, do grupo de teatro recifense Magiluth, em cartaz na Funarte de quinta-feira a domingo (27 a 30), é um ser humano e, como qualquer outro da sua espécie, indaga sua existência e seu lugar no mundo com o apoio da filosofia e da religião. E leva o espectador junto.

“O público é quase um coautor, ele fecha as lacunas que o personagem deixa em aberto. É um texto que propõe muitas imagens e reflexões. O espectador não consegue passar pela obra de forma passiva”, comenta o diretor Pedro Vilela sobre o texto do dramaturgo paulista Paulo Santoro. Um júri chega a ser armado para julgar Gregório não pelos seus atos, mas pelas motivações que o levaram a cometê-los. O crime foi não ter sido bom. Segundo o diretor, recorrendo a pilares do pensamento ocidental, como Sócrates e Jesus Cristo, o que a peça propõe é tentar desconstruir paradigmas, ou pelo menos problematizá-los.

Algo premente na realidade do país hoje. “Neste ano de eleições o Brasil mostrou que não é aquele país pacífico, há muita xenofobia, racismo. Essa desconstrução é o movimento que Gregório faz, apontando que não existe só um lado da moeda”, observa. O espetáculo faz parte do projeto “Ocupação 3.0 – De Lá pra Cá” da Cia. Drástica de Artes Cênicas.

O Canto de Gregório Funarte (r. Januária 68, Floresta) De 27 a 30 (quinta-feira a sábado às 20h e domingo às 19h). R$ 10 (inteira). (31) 3214-3258.

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