O poder do riso

iG Minas Gerais | Bárbara Xavier |

Palhaços levam risadas a hospitais, creches e asilos
FABIANO LANA
Palhaços levam risadas a hospitais, creches e asilos

Não se passa praticamente uma semana sem alguma manchete sobre uma nova descoberta envolvendo as benesses do riso. Bom, já não é mistério para ninguém que o riso tem poder de cura, mas fazer rir não é lá uma arte tão conhecida assim e é mais ou menos disso que se trata “Rir é o melhor remédio”. A peça, em temporada em Belo Horizonte da próxima quarta-feira (29) até dia 14 de dezembro, apresenta o trabalho de formação e as experiências daqueles que são os mestres das risadas em um ambiente aparentemente pouco propício à diversão: os palhaços em hospital. 

  “O que é um palhaço? Que habilidades ele precisa desenvolver? Cantar, dançar, fazer música, aprender técnicas de circo, ser apresentador... Mas o diferencial é que estamos pensando essas habilidades aplicadas ao ambiente hospitalar. É como se a peça fosse uma conferência. Nos baseamos um pouco naqueles programas documentários: ‘palhaços, o que são? O que fazem? Como vivem?’. Fomos brincando com isso”, conta Rodrigo Robleño, o diretor do espetáculo, que também atua.   Alegria A ideia surgiu das vivências do Uniclown, um grupo formado por palhaços criado para investigar a arte da profissão e que passou o último ano levando risadas para hospitais, creches e asilos da capital. Convivendo no dia a dia com as realidades mais adversas, eles atestaram que rir é sim um ótimo remédio, então era preciso compartilhar essa alegria também com o público dos teatros. “É uma questão científica, a alegria de fato melhora o organismo e assim ajuda as pessoas a se recuperarem mais rápido”, comenta Robleño, que sempre viu um papel social na prática da palhaçaria. “O palhaço é uma figura que tem mais de 6.000 anos em registro e sempre teve a função de mostrar para o mundo um estado de graça que também é fundamental para o ser humano. É um provocador, ele mostra a parte excêntrica do ser humano e o palhaço de hospital procura resgatar o lado sadio das pessoas. Promovemos o humor, o relaxamento e afastamos um pouquinho os pacientes das dificuldades”, conta.   Mas ninguém disse que isso é fácil, afinal, os mestres do bom humor também são seres humanos e nem sempre estão com um sorriso estampado no rosto. O diretor conta que é preciso um conhecimento mais aprofundado sobre a rotina hospitalar para que o palhaço não acabe sucumbindo. “Existe uma demanda de energia e de coragem muito grande. Além de conhecer as técnicas próprias do palhaço, é fundamental ter boa vontade”</CW>.  As dicas são de quem conhece muito bem a profissão. Robleño já atuou no espetáculo “Varekai”, da celebrada companhia canadense Cirque du Soleil. Do trabalho com o grupo ele trouxe a percepção de espetáculo como algo sempre em processo, sendo afetado pelo público. Nunca fechado. Mas para ele, a experiência que mais contou em sua formação como palhaço foram os anos que atuou nas ruas da Espanha. “Lá eu passava o chapéu para sobreviver, precisava da colaboração das pessoas, então aprendi a ter um contato melhor com elas. O maior mérito do palhaço é o público”.   Rir É o Melhor Remédio Epetaculo Casa de Artes (r. Pouso Alegre, 1.568, Santa Tereza, 3481-1670). Dias 29 e 30 (sábado às 21h e domingo às 20h) e dias 5, 6 e 17; 12, 13 e 14 de dezembro (sextas e sábados às 21h, e domingos às 20h). R$ 20 (inteira).  

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