Câmara gasta R$ 110 mil com ponto eletrônico, mas mantém "olheiros"

Até o fim do ano, 591 equipamentos serão instalados nos gabinetes e nas lideranças dos partidos, um gasto de R$ 186 por aparelho

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Os 513 deputados vão ganhar mais conforto para registrar presença na Câmara. Agora, cada gabinete terá um leitor biométrico para o parlamentar bater o ponto sem precisar sair de seu escritório. O agrado custou R$ 110 mil aos cofres da Casa.

Até o fim do ano, 591 equipamentos serão instalados nos gabinetes e nas lideranças dos partidos, um gasto de R$ 186 por aparelho.

Atualmente, os parlamentares contam com mais de dez terminais espalhados pelos prédios da Casa. No anexo 4, que tem nove andares reservados para escritórios, há um leitor por piso. No plenário, são dois.

Além do controle eletrônico, a Câmara mantém oito funcionários espalhados pelas quatro entradas principais da Casa que são responsáveis por identificar e anotar o acesso dos congressistas. Chamados de "olheiros", são assessores que trabalham há anos na Casa e são considerados uma espécie de "Google ambulante" para reconhecer, de longe, quem é congressista.

Esses funcionários contam que passam horas antes do início dos trabalhos de cada novo Congresso decorando fotos e dados dos deputados. A instituição não informou os salários. A Câmara vai manter esses cargos por um período de transição, ainda a ser definido

Segundo técnicos, a ideia do ponto eletrônico é garantir maior conforto ao parlamentar. O registro da presença é utilizado para a abertura das sessões de discussão. Pelas regras, são necessários 51 deputados para a abertura dos trabalhos. Esse controle, no entanto, não vale para as votações, quando são exigidos 257 parlamentares no plenário.

A Câmara informou ainda que a compra dos equipamentos faz parte de um pacote de modernização que começou a ser implantado em 2012, quando as comissões começaram a ganhar sistemas informatizados. A Casa gastou outros R$ 167,4 mil para instalar 900 leitores pelas comissões.

Garotas das assinaturas

A Câmara argumenta que o sistema vai funcionar ainda como assinatura eletrônica para o apoio a requerimentos de sessões de homenagem, de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) e de PECs (Propostas de Emenda à Constituição), por exemplo, comecem a tramitar.

Medida que já está a disposição dos congressistas há quase dois anos, mas que ainda não colocou em risco a tarefa das chamadas "garotas das assinaturas". Elas são jovens, costumam usar roupas justas e vivem correndo de um lado para o outro atrás de deputados pelos corredores da Câmara.

Com caneta e pranchetas em mãos, elas tentam convencer o deputado a assinar propostas dos colegas para fazer o texto começar a ser discutido no Parlamento. No caso de PECs, por exemplo, elas precisam reunir pelo menos 171 assinaturas. A maioria dos parlamentares assina sem saber o conteúdo. Dependendo do tipo de proposta e do número necessário de apoio, as garotas ganham de R$ 400 até R$ 3.000 em meses movimentados.

Na avaliação de técnicos da Casa, o trabalho tem se mantido porque tem muito parlamentar que precisa ser convencido pessoalmente a apoiar uma proposta -ou quando é necessário agilizar a coleta de assinaturas para matérias importantes, como a criação de CPIs.

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