Alteração de fachada e o bom senso

iG Minas Gerais | Kênio Pereira |

Nos edifícios, o projeto da fachada recebe grande atenção pelo fato de valorizar expressivamente todas as unidades. E, com o passar os anos, é comum as fachadas dos edifícios ficarem deterioradas e em péssimo estado de conservação. Há casos de edifícios em que as fachadas vão sendo alteradas aleatoriamente pelos condôminos e se tornando uma grande “alegoria”.   Esses problemas ocorrem quando há omissão do síndico e dos condôminos, que não realizam as obras de conservação ou quando os condôminos fazem reformas ou intervenções sem observar a harmonia arquitetônica.   OBRAS VALORIZAM O PATRIMÔNIO Diante da modernização das edificações, é comum os proprietários de apartamentos mais antigos quererem modernizar a sua propriedade para valorizar o bem e acompanhar o modismo dos apartamentos novos.   Era comum que as coberturas antigamente fossem edificadas com guarda-corpo em grades de ferros, o que não é mais usual, e os proprietários tem optado por trocar por blindex. Quando os proprietários de coberturas optam por fazer essa obra, muitas vezes gera polêmica dentro do condomínio, pois há pessoas que entendem que isso constitui uma alteração de fachada. Entretanto, essa situação não constitui alteração de fachada em casos de edifícios que possuem somente uma cobertura, pois isso é uma obra de embelezamento e valoriza todo o edifício.   No caso de edifícios que possuem duas ou mais coberturas, o ideal é que todas façam a troca pelo mesmo material para que haja uma harmonização. Já quando somente uma cobertura irá fazer a obra, deve constar expressamente que as demais coberturas, caso desejem, devem observar o mesmo acabamento quando for fazer sua obra de modernização.   Da mesma forma, ao fazer a troca de um revestimento das fachadas por outro mais moderno, ou a substituição das janelas de metalon por alumínio ou blindex, não constitui alteração de fachada. No edifício onde morava, por exemplo, a fachada tinha um azulejo hidráulico que parecia cimento, e quando o condomínio decidiu fazer a obra, esse revestimento foi trocado por mármore, o que modernizou e valorizou todo o edifício.    CONDÔMINOS DEVEM USAR O BOM SENSO  A aparência de um condomínio muito diz sobre a forma como ele é conservado ao longo dos anos, sendo que as obras de manutenção e a reforma nos edifícios, são fatores decisivos de valorização das unidades, pois uma fachada e áreas comuns bem cuidadas fazem toda a diferença.   É necessário que os condôminos tenham coerência e bom senso para saber que a reforma de modernização valoriza o patrimônio comum e o de cada um. Há casos de condôminos que querem impedir o proprietário de cobertura de fazer as obras por questão de inveja. Como já expliquei no artigo “Inveja, fator estimulante para muitas atitudes”, publicado nesta coluna no dia 29 de junho de 2014, a valorização do consumo e da competição tem tornado um desafio conviver com determinadas pessoas em um condomínio, no trabalho ou em uma entidade, onde alguns não sabem disputar ou respeitar o próximo.   FACHADA VALORIZA O IMÓVEL Constatamos que a estética da fachada é tão importante que pode aumentar o valor das unidades em torno de 20% a 60%. Este é o caso de edifícios com entradas suntuosas, pois uma bela e imponente fachada, sem dúvida, agrega um considerável valor ao imóvel.   Benfeitorias nas áreas comuns não só evitam que seu apartamento perca valor como podem valorizá-lo. O condômino de um edifício mais antigo pode se surpreender ao descobrir que os apartamentos do edifício ao lado, que possui mesmo tempo de construção e estrutura similar, estão mais valorizados que o seu próprio imóvel. Nessa situação, a valorização é decorrente do edifício vizinho ter reformado a sua fachada.

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