Falta de noção e de civilidade

iG Minas Gerais |

Atlético e Cruzeiro perderam uma grande oportunidade de mostrar ao Brasil e ao mundo que a velha e maldosa rivalidade, tão cultuada e propagada por anos a fio, era coisa do passado. Vencer a qualquer preço ainda perdura neste ambiente, que reluta em adotar novas e modernas praticas de competição. Moralidade e ética não encontram espaço na visão mesquinha e egoísta dos dirigentes. Os dois grandes clubes mineiros mostram o quanto é difícil conciliar e encontrar um ponto de equilíbrio que atenda aos interesses das duas partes. Em comum, apenas o fato de que os dois querem o título da Copa do Brasil, custe o que custar. Será que é tão difícil assim deixar de lado o jeitinho brasileiro de querer as coisas? Na verdade, o que vimos é um eufemismo para a mais pura falta de noção e de civilidade de quem não consegue reconhecer o outro como adversário de nível semelhante. Atalho. Vejam o que acontece na Série B. Incompetentes para montar times, os dirigentes investem em investigadores e advogados para tirar vantagem dos erros de adversários. Será esse o jeito mais fácil de fazer futebol? Não seria hora adotar posturas éticas, responsáveis e honestas para criar um ambiente sadio? Não adianta caçar apenas os marginais infiltrados no meio da torcida.

Horto melhor. O grupo francês Lagardère, que administra cerca de 50 estádios pelo mundo, é a nova parceira da BWA, que cuida do Independência. Obras de melhoria já estão sendo executadas, mas o fechamento total do estádio não está nos planos. Para completar o anel, teriam que negociar com proprietários de cerca de 300 imóveis ao redor do estádio. Inviável.

Mais essa. O torcedor mineiro já está acostumado com árbitros de fora em jogos importantes no Campeonato Mineiro, mas agora foram longe demais. Buscaram um ex-árbitro catarinense para comandar a nossa arbitragem: Giuliano Bozzano. Será que no nosso Estado não tem nenhum ex-árbitro com competência?

Só para dificultar. Em 1979, o governo instituiu o Programa Nacional de Desburocratização, mas ainda tem gente que insiste em dificultar a vida de quem trabalha. Pasmem. O cronista faz, anualmente, duas carteiras, uma nacional e outra estadual, para ter acesso aos estádios. Para trabalhar na decisão da Copa do Brasil, é necessário mais dois credenciamentos: da FMF e da Minas Arena.

O Atlético errou na parte que cabia a ele. Quis tirar vantagem da situação que lhe era favorável. Mostrando o mesmo nível, o Cruzeiro também erra na tentativa de dar o troco no rival e se beneficiar de uma situação esdrúxula. Decisões e medidas que não acrescentam em nada na construção de um novo ambiente para o combalido futebol brasileiro. Gol da Alemanha.

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