Cada um no seu quadro

iG Minas Gerais |

É muito importante que todas as denúncias relativas a desvios de recursos da Petrobras sejam apuradas e os responsáveis, punidos. Ninguém espera nada diferente disso. Mas também é certo que o país não pode parar em função do caso. As instituições precisam funcionar com isenção e eficiência, como, aliás, parecem estar fazendo. Ministério Público Federal, Polícia Federal e Poder Judiciário, em todas as suas instâncias, precisam cumprir suas funções independentemente das pressões políticas e sociais. Em investigação e em julgamento a matéria-prima é o fato, o crime. É necessário que os pilares da democracia prevaleçam, o que quer dizer que nenhuma denúncia deixará de ser investigada, nenhuma acusação deixará de passar pelo crivo do Poder Judiciário, nenhum acusado será privado do seu direito de defesa e nenhum condenado receberá perdão ou deixará de cumprir sua pena. Assim sendo, o país pode andar enquanto as investigações e os processos caminham. Quando a presidente Dilma Rousseff afirma que nunca neste país se investigou tanto, ela não está errada. O que ela parece não entender é que isso não é nenhuma vantagem nem favor para a sociedade. Permitir que todas as denúncias sejam investigadas é obrigação do Poder Executivo. E não importa se outros governos assim o fizeram ou não. Se não o fizeram, estavam errados, e um erro não justifica o outro nem engrandece o acerto alheio. Cumprir o que está escrito na Constituição é obrigação de cidadão. Da mesma forma, não cabe à oposição tirar proveito político de um episódio lamentável como esse, especialmente fora do período eleitoral. Os opositores também precisam permitir que todo o processo investigatório prossiga sem contaminação política. Em resumo, a eleição, que transcorreu dentro da legalidade e de forma democrática, acabou. O que está acontecendo agora nada tem a ver com a eleição. Escândalos, mais ou menos graves, ocorrem em todos os países, mesmo nos mais democráticos. E nem por isso os governos precisam ser derrubados. Uma das razões para a eleição ocorrer periodicamente é justamente marcar a aprovação ou desaprovação de uma gestão. Não é admissível nenhuma tentativa de burla das regras de um jogo que ocorre dentro da normalidade. Quem descumprir a regra que seja expulso. Acabar a partida antes de terminado o tempo regulamentar é golpe, o que não cabe na democracia. Da mesma forma, impedir o esclarecimento do caso para proteger a si próprio ou a aliados também é uma atitude golpista. Então, que seja assim mesmo: doa a quem doer. Mas que seja assim mesmo, ainda que a dor seja na própria carne. A democracia pressupõe que as coisas podem dar errado. Simples assim.

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