Avaliação do consumidor pode encarecer conta de luz

Aneel pode incluir no cálculo do reajuste, a partir de 2015, indicadores de satisfação do cliente

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa / Marco Antônio Corteleti |

Seca. Jaguari, o maior dos quatro reservatórios do sistema Cantareira
LUCAS LACAZ RUIZ
Seca. Jaguari, o maior dos quatro reservatórios do sistema Cantareira

A proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de incluir pesquisa de satisfação do consumidor no cálculo tarifário do próximo ciclo de reajuste (2015-2018) pode encarecer o custo da conta de luz do consumidor. Segundo a coordenadora institucional da Proteste Associação de Consumidores, Maria Inês Dolci, a inclusão do Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (Iasc) no cálculo da tarifa pode penalizar o cliente.  

“Se a avaliação da Cemig for considerada satisfatória, por exemplo, a chance de a empresa conseguir um reajuste próximo ao que pleiteia junto à Aneel é grande. Isso significa um reajuste maior do que se os consumidores a tivessem avaliado de forma insatisfatória”, afirma. Neste ano, por exemplo, a Cemig pediu à Aneel autorização para reajustar as contas em 29,7%, em média. A agência autorizou 16,33%.

O Iasc é um índice que mede a satisfação do consumidor com base em uma série de indicadores, como percepção de qualidade, preços e fidelidade. O último Iasc elaborado pela Aneel mostrou que a Cemig Distribuidora obteve índice de satisfação acima da média nacional: 68,75 contra 67,74.

A proposta da agência ainda será levada a debate em audiência pública. O professor e MBA do setor elétrico do FGV/IBS Franklin Miguel diz que o melhor é usar critérios técnicos e objetivos de avaliação, em vez do Iasc, que é muito subjetivo. “Esse tipo de avaliação mais subjetiva já foi usada no passado, mas o consumidor não fazia uma avaliação real da empresa por medo de ter uma conta mais cara”, explica ele.

Além do Iasc, também comporão o cálculo tarifário critérios de qualidade técnica: o nível de tensão da energia (que pode gerar queima de eletrodomésticos); o DEC/FEC (que mede o número de interrupções do fornecimento e a duração dos desligamentos); e o atendimento comercial aos clientes da concessionária.

E são justamente esses outros três fatores que não permitirão, segundo a assessoria de imprensa da Aneel, que o Iasc seja preponderante na composição da tarifa. “O cálculo do reajuste é complexo e a qualidade técnica do serviço prestado terá grande impacto no preço final”, afirma a agência.

Fiscalização. Para a coordenadora da Proteste, é importante definir claramente como a Aneel vai acompanhar e fiscalizar a qualidade dos serviços. “Esse é um aspecto fundamental para que as concessionárias melhorem a qualidade. A avaliação dos consumidores pelo Iasc é importante, mas não é suficiente”, destaca.

Na meta

Melhorou. Nos últimos anos, a Cemig melhorou nos indicadores de interrupção de energia. Segundo a empresa, os números estarão dentro das metas já no ranking que será divulgado em 2015.

Nota baixa de agência eleva risco da Cemig O rebaixamento da nota de crédito da Cemig pela agência de classificação de risco Moody’s é ruim para a empresa em caso de novos investimentos. A opinião é do professor do curso de MBA em setor elétrico da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBS), Franklin Miguel. “Com menos capacidade para investir, a empresa perde competitividade”, afirma. Segundo Franklin Miguel, a crise hídrica e a disputa com o governo federal para renovar as concessões de três das suas principais usinas – a um preço quatro vezes menor do que quer Brasília – são os principais motivos. (MAC)

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