Burocracia pode fazer Minas perder projeto de avião

Estado apresenta Condomínio Temático Aeroespacial

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Sonho encalhado. Protótipo do AX-2 Tupã, que teria custo de R$ 32 milhões, nem foi construído
Axis/Divulgação
Sonho encalhado. Protótipo do AX-2 Tupã, que teria custo de R$ 32 milhões, nem foi construído

O projeto da aeronave AX-2 Tupã, desenvolvido pela Axis Aeroespacial, de Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, pode alçar voos em outras terras. Tudo vai depender da escolha do investidor, que é necessário para a ideia decolar e ganhar o mercado. “Já fui abordado por investidores de São Paulo, da Europa, em especial da Espanha, e dos Estados Unidos”, disse o diretor da empresa, Daniel Carneiro, que esteve nesta quinta na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) para a reunião inaugural do Condomínio Temático Aeroespacial do Estado de Minas Gerais.  

De acordo com ele, já era para a aeronave estar literalmente voando. “Dinheiro existe, o problema é a burocracia. Assim, vamos nos adaptar e colocar um investidor no processo”, frisa. Carneiro afirmou que a participação do investidor é certa, o que ainda não se sabe é quem será. A preferência é para que o parceiro seja de Minas Gerais. “Desejo manter em Minas, mas já esperei o que podia. O projeto já tem seis anos”, diz. O investimento para a viabilização do protótipo, que não foi construído, é de R$ 32 milhões. Entretanto, o valor do custo da aeronave, com capacidade para seis pessoas, não pode ser divulgado, segundo o diretor da empresa. Para ele, com a viabilização do condomínio aeroespacial no Estado, aumentam as chances de manter o projeto da aeronave aqui. Nesta quinta, além da apresentação dos projetos da Axis, o encontro contou com propostas de trabalho de institutos de ciência e tecnologia, outras indústrias e entidades de ensino nacionais e internacionais. A próxima reunião, segundo o coordenador do condomínio, Coronel Marco Antonio Sala Minucci, está marcada para acontecer no dia 15 de abril de 2015, quando será debatido o estatuto. Para o ex-secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Nárcio Rodrigues, Minas Gerais está dando o primeiro passo para deixar de depender das commodities e passar para a economia do conhecimento. “É uma semente que tem condições de ir para frente, se o governo não atrapalhar”, diz. Outra empresa que também apresentou seus projetos nesta quinta foi a Indústria de Aviação e Serviços (IAS), localizada em São José da Lapa, na região metropolitana de Belo Horizonte. A empresa, que tem como cliente a área defesa nacional, vai participar de um projeto de troca de tecnologia com a Rússia, conforme seu gerente geral Elizeu Alcântara. “A Rússia irá nos fornecer equipamentos, treinamentos e manuais. O valor será de US$ 50 milhões”, diz. Com isso, a IAS vai poder fazer a manutenção e reparo de 20 helicópteros comprados da Rússia pelo Brasil.

Escola Lagoa Santa. Como parte do polo aeroespacial, espera-se a inauguração, em 2015, da primeira escola técnica voltada para o setor no país em Lagoa Santa. Serão 400 vagas no ensino médio.

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