Monstro da internet, banner estaria com os dias contados

Os irritantes anúncios estão em baixa diante do crescimento da conexão móvel e das redes sociais

iG Minas Gerais | Farhad Manjoo |

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Nova York, EUA. Vinte anos atrás, uma equipe bem intencionada de designers, programadores e editores de revistas libertou inadvertidamente num mundo que não desconfiava de nada uma das tecnologias mais equivocadas e destrutivas da era da internet: o banner publicitário.  

Se isso for exagero, é dos menores. Os primeiros banners publicitários – aqueles anúncios retangulares na parte de cima dos sites – pareciam inocentes; uma meia dúzia de lugares para uma série de empresas, tais como AT&T, Volvo e Zima, eles estrearem em HotWired, a versão na internet da revista “Wired”, em 27 de outubro de 1994. As pessoas que participaram de sua criação dizem que os primeiros banners foram um sucesso retumbante, merecendo adulação de leitores e anunciantes.

Porém, o sucesso gerou um monstro que veio a engolir a internet como um todo e criou duas décadas de caos. “Até parece uma pegadinha criada pelo segmento da tecnologia sobre o da mídia 20 anos atrás”, disse Chris Dixon, investidor de tecnologia da empresa Andreessen Horowitz que há muito tempo lamenta o alcance desmedido e a permanência do banner publicitário.

Hoje, finalmente, o banner está em declínio. Isso porque a web, meio em que prosperou, também se encontra em declínio. Vivemos agora em um mundo móvel e social, e passamos a maior parte do tempo on-line usando aplicativos que carregam mais rápido e são muito mais bonitos e úteis do que os sites. Em vez de banners, muitos desses aplicativos, incluindo Facebook, Twitter e Instagram, ganham dinheiro com anúncios que aparecem nos feeds sociais dos usuários, e não mais na lateral da página. Enquanto isso, o que existe de tão ruim nos banners? Para começar, eles arruinaram a aparência e usabilidade da web, cobrindo cada pixel disponível de cada página com pedaços deselegantes de patrocínio. Mais do que isso, os banners publicitários perverteram o conteúdo em si. Por serem muito ineficazes, são vendidos a preços baixos por alto volume, ou seja, para ganhar dinheiro com eles, os sites precisam atrair muito tráfego. Esse modelo de negócio instilou a ideia de que a visualização de páginas era a meta suprema da web, dessa forma gerando milhões de sites vagabundos destinados a ganhar seu clique.

Privacidade. Por fim, existe a questão da privacidade. Atrás de cada banner existe uma infraestrutura imensa projetada para rastrear seus movimentos pela web, para aprimorar a eficácia de anúncios que, segundo vários estudos, a maioria das pessoas nunca vê.

Publicidade tecnológica No Vale do Silício, um novo setor de “publicidade tecnológica” surgiu para rastrear, fornecer e medir a eficiência dos anúncios. O segmento foi dominado pela DoubleClick, que organizou milhões de páginas pela web em formato de rede a qual, sistemática, agressiva e incessantemente funcionou como o tamanho e o formato padrões de anúncio. Alguns dos maiores sites – principalmente o Yahoo – fizeram dos banners sua maior atividade.

Eles eram o que havia Com o tempo, os banners se tornaram onipresentes. Havia exceções, mas a maioria dos sites não tinha escolha além de se financiar com banners, mesmo depois que ficou claro que eles quase não tinham eficácia. Os anunciantes eram forçados a fazer banners em tamanhos e formatos padrão, pois era o que a maioria dos sites publicava; os sites optaram por esses anúncios por ser aquilo pelo qual a maioria dos anunciantes pagava.

Os anúncios nativos O executivo Jonah Peretti, com sua empresa BuzzFeed, abriu mão dos banners e se tornou um exemplo das possibilidades dos anúncios nativos para financiar o jornalismo. Esses anúncios, com os quais o jornal “The New York Times” vem fazendo experiências, parecem postagens comuns em aplicativos e redes sociais. Muitos críticos alertaram que eles representam o perigo de acabar com a distinção entre mensagens com e sem patrocínio on-line.

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