O ano mais quente da história

Forte calor nos dez primeiros meses de 2014 é o maior já registrado desde 1880

iG Minas Gerais |

Davastador. Se o derretimento das calotas de gelo continuar nesse ritmo, o mar pode subir 4,9 metros
NICK COBBING GREENPEACE
Davastador. Se o derretimento das calotas de gelo continuar nesse ritmo, o mar pode subir 4,9 metros

BERLIM, ALEMANHA. Os dez primeiros meses de 2014 foram os mais quentes já registrados no planeta desde que a temperatura global começou a ser medida por cientistas, em 1880, de acordo com informações da Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA.  

O dado foi divulgado nesta quinta. De acordo com o departamento ligado ao governo norte-americano, o mês de outubro bateu recordes de calor e, por isso, há indícios de que este ano possa ficar conhecido como o mais quente desde o início das constatações oficiais.

No mês passado, considerado o outubro mais quente desde 1880, a temperatura média global – combinação de medições feitas nas superfícies terrestre e oceânica – ficou 0,74ºC acima da média do século 20, que é de 14ºC.

No período de janeiro a outubro deste ano, a temperatura ficou 0,68ºC acima da média registrada pelos termômetros ao longo do século passado (14,1ºC).

Nesta quinta, em 32 países reunidos em Berlim se comprometeram a repassar US$ 9,3 bilhões para o Fundo Verde para o Clima (FVC) das Nações Unidas, criado para ajudar os países em desenvolvimento a lutar contras as mudanças climáticas. “É um dia histórico e extremamente importante”, declarou a diretora do Fundo Verde, a tunisiana Héla Cheijruhu, em coletiva de imprensa.

“As mudanças climáticas são um problema fundamental para a sobrevivência da humanidade”, declarou o ministro alemão do Desenvolvimento, Gerd Müller, anfitrião da Conferência de Berlim. Desta forma, o Fundo Verde tem um orçamento assegurado para os próximos quatro anos.

A maioria dos contribuintes é de países ricos como Estados Unidos, Grã Bretanha, França e Japão. O Fundo Verde, com sede na Coreia do Sul, foi criado oficialmente em 2010 pelos acordos de Cancún para ajudar os países em desenvolvimento a lutar contra o aquecimento global. A meta é atingir US$ 10 bilhões até o fim do ano.

Tem como objetivo ajudar os países mais vulneráveis às mudanças climáticas a realizar projetos específicos como, por exemplo, reduzir as emissões de gases do efeito estufa, conter o desmatamento e proteger-se contra o aumento dos níveis do mar.

A Conferência de Berlim ocorre alguns dias antes da conferência do clima das Nações Unidas, a ser realizada no início de dezembro em Lima, e a um ano de uma reunião decisiva em Paris, onde um acordo ambiental global deverá ser aprovado.

O principal objetivo é limitar a 2°C o aumento da temperatura global, que para além desse nível poderia causar desequilíbrios climáticos severos. Esta meta “exige um investimento maciço”, disse Cheijruhu.

O FVC, que receberá fundos públicos e privados, doações e empréstimos, faz parte da meta da ONU de obter US$ 100 bilhões para ações contra as mudanças climáticas até 2020. Na reunião do G20 em Brisbane, na Austrália, houve alguns anúncios, como os US$ 3 bilhões dos Estados Unidos e US$ 1,5 bi do Japão. De acordo com a imprensa britânica, a Grã-Bretanha devia anunciar uma contribuição de cerca de US$ 1 bilhão.

Papa diz que é preciso proteger a Terra e impedir sua destruição Roma, Itália. O papa Francisco declarou nesta quinta em um discurso na FAO que teme que o planeta se autodestrua pela superexploração dos recursos naturais, lembrando aos Estados sobre seus deveres para com quem tem fome. “Precisamos mais uma vez proteger a Terra para impedir sua autodestruição”, afirmou o pontífice diante dos ministros reunidos na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), por ocasião de uma conferência internacional sobre nutrição.

“Enquanto falamos de novos direitos, os famintos continuam nas esquinas pedindo para serem incluídos na sociedade e terem o pão de cada dia. Esta é a dignidade que eles pedem e não esmolas”, acrescentou o Papa.

Mais ajuda O diretor da agência da ONU para a FAO, o brasileiro José Graziano, disse que líderes religiosos de calibre internacional podem exercer um grande papel no combate à fome e à nutrição inadequada. “O engajamento do papa na luta contra a fome e contra o desperdício de alimentos tem sido constante”.

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