Interferências abalam versões oficiais

Em “Monumento Vidraça Monumento Ruína”, artista propõe olhar para o significado dos monumentos históricos

iG Minas Gerais | carlos andrei siquara |

Artista emprega técnicas como a pintura e colagem em seus trabalhos
Guto Muniz
Artista emprega técnicas como a pintura e colagem em seus trabalhos

Grandes esculturas feitas para atravessar longos períodos, os monumentos visam gravar a memória relacionada a algum evento histórico. Daniel Bilac, criador de uma série de trabalhos exposta na mostra “Monumento Vidraça Monumento Ruína”, no Memorial Minas Gerais Vale, parece interessado justamente no que se coloca como obstáculo a essa permanência.

Nos trabalhos, não há um tributo a nenhuma figura majestosa. Ao contrário, ganha visibilidade o modo como essas esculturas passam a ser úteis ao pouso dos pássaros e recebem interferências gráficas, como o pixo e o grafite. “Por mais que um monumento tenha sido feito de concreto ou metal ele não está imune ao que acontece na cidade, sofrendo a ação da natureza ou das pessoas. Por isso em algumas imagens há a presença de ervas daninhas, pombos ou andorinhas, que são habitantes indesejáveis dessas construções. Essas presenças dão um pouco dessa ideia de uma contaminação, que, muitas vezes, acaba vencendo, por mais bélica e impenetrável que pareça alguma escultura”, diz Bilac.

Escolhido para inaugurar o ciclo de Exposições de Jovens Artistas 2014–2015 do centro cultural, ele reflete que lidar com o desgaste de monumentos permite pensar sobre a disputa de versões sobre a história de um povo. “Tanto as pessoas quanto a ação dos fenômenos contribuem para construir um novo discurso, por isso essa questão da ruína me parece algo interessante”.

Serviço. “Monumento Vidraça Monumento Ruína”, no Memorial Minas Gerais Vale (praça da Liberdade). Visitação: Até 18/1, 3ª, 4ª, 6ª e sáb., das 10h às 17h30; 5ª, das 10h às 21h30; dom., das 10h às 15h30. Entrada franca.

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