Passos rumo à autoconfiança

Casa do Beco apresenta nova companhia de dança urbana com estreia do espetáculo “Estima” neste fim de semana

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Estreia. Espetáculo foi concebido com participação dos jovens a partir de experiências próprias
Casa do Beco
Estreia. Espetáculo foi concebido com participação dos jovens a partir de experiências próprias

A comunidade do Morro do Papagaio e do Aglomerado Santa Lúcia conta com um grupo de dançarinos urbanos que, vira e mexe, participava das intervenções artísticas da Casa do Beco e flertava com a utilização do espaço. “Mas a gente não assumia a responsabilidade porque originalmente a Casa surgiu de um grupo de teatro”, conta Nil Cezar, coordenador do lugar.

Os meninos, porém, partiram numa busca própria de aprimoramento e profissionalização, realizando oficinas e parcerias com o Primeiro Ato e o Grupo Corpo. “Aí, um dia, chegaram aqui e nos provocaram, questionando por que o único espaço cultural da comunidade era segmentado apenas para o teatro, sem abertura para outras manifestações”, recorda Cezar.

Isso foi há dois anos. A Casa aceitou a provocação, e o resultado apresenta agora seu primeiro fruto: “Estima”, trabalho de estreia da Companhia Movimento do Beco. Com direção artística de Nil Cezar e concepção coreográfica do bailarino Carlos Antônio, o espetáculo estreia hoje, às 20h, na quadra da Escola Dona Augusta, no Santa Lúcia, apenas para convidados; segue amanhã para a praça Floriano Peixoto, em Santa Efigênia, às 17h; e no domingo, às 10h, no Parque Municipal.

Segundo o coordenador, a pesquisa do grupo durante esses dois anos seguiu a mesma perspectiva da Casa do Beco de discutir questões sociais que dizem respeito à periferia da sociedade. E o tema que eles quiseram trabalhar era como a baixo autoestima interferia no processo de criação e no amadurecimento artístico de cada um. “Quando eles iam para um espaço elitizado, como o do Primeiro Ato ou o Palácio das Artes, isso atrapalhava a evolução profissional deles”, conta.

Os bailarinos mergulharam na investigação do que lhes causava a baixa autoestima. Cezar pediu que cada um escrevesse uma redação sobre o tema e, em vez de lê-la, fez com que eles a apresentassem em forma de solos. “A partir daí, criamos um roteiro mínimo com uma pitada de teatralidade, que é a essência do meu trabalho e da Casa do Beco”, explica.

O coordenador, que nunca havia dirigido um espetáculo de dança, assumiu a direção artística. O bailarino Carlos Antônio, que já passou pelo Primeiro Ato e pelo Corpo, assinou a concepção coreográfica. E nomes como Ruy Moreira e Dudude Herman serviram de “observador” e “conselheira artística”, respectivamente.

O resultado é “Estima”, apresentado em um cenário cujo elemento cênico é uma caixa de som e o próprio Cezar entra em cena como sonoplasta. “A baixa autoestima é o medo de encarar a vida, e a mensagem do espetáculo é ‘distribua alegria’, que queremos levar às periferias das cidades do Brasil – e para fora delas também, porque esse problema não é ‘privilégio’ desses lugares”, considera o coordenador. Para o ano que vem, a companhia já está planejando um novo trabalho, sob a direção de Suely Machado, do Primeiro Ato, sobre a alienação dos jovens de hoje.

Agenda

O que. “Estima”

Quando. Hoje, às 20h, amanhã, às 17h, e domingo, às 10h

Onde. Hoje, na quadra do Santa Lúcia (rua Copérnico Pinto Coelho, Santa Lúcia); Amanhã, na praça Floriano Peixoto; e domingo, no Parque Municipal

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