Vinte e um anos de um eterno recomeçar

Coreógrafa chega à maioridade com sua companhia e crê em processos de criação iniciados a partir “do zero”

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Mergulho. Colker se impõe o desafio de buscar caminhos nunca antes percorrido em sua trajetória
FLÁVIO COLKER DIVULGAÇÃO
Mergulho. Colker se impõe o desafio de buscar caminhos nunca antes percorrido em sua trajetória

A experiência, para alguns, serve para encurtar alguns caminhos. Se não se tem a impedância e força da juventude, a sabedoria dos anos vividos garante caminhos menos turbulentos. Certo? “Nada disso!”. Pelo menos, na opinião da coreógrafa Deborah Colker, com sua vasta experiência e aclamada carreira dentro de fora do Brasil, ela acredita que um novo trabalho é sempre um novo embaralhar de cartas.

“Cada espetáculo é sempre um enigma, uma folha em branco. E descortina uma gama infinita de possibilidades, o que torna difícil encontrar o foco do caminho a ser seguido. Principalmente porque eu me imponho o desafio de buscar caminhos desconhecidos, que tragam novas indagações e provoquem novas maneiras de traduzir ideias e sentimentos através da dança”, garante.

O “eterno” recomeçar nos processos criativos, no entanto, não impede que sejam criadas conexões nessa trajetória artística que já acumula 21 anos de estrada. “Durante muito tempo investiguei e pesquisei questões específicas da dança contemporânea: relações entre movimento e espaço, corpo e movimento; questões como gravidade, física do movimento, geometria do movimento, volumetria, peso, equilíbrio e desequilíbrio”, comenta.

“Belle”, espetáculo que será apresentado no Palácio das Artes neste fim de semana, por exemplo, dialoga com outros trabalhos da companhia de Colker. “A partir de ‘Nó’ (de 2005), que trata do tema do desejo, começo a me debruçar sobre a condição e a alma humanas. Depois veio ‘Cruel’, que lançava um olhar sobre a vida e sobre o amor. Aí veio a experiência de criar e dirigir um espetáculo para o Cirque du Soleil, ‘Ovo’, de 2009, onde era preciso contar uma história que atendesse a um arco de público que ia da criança ao avô. Uma história capaz de encantar toda a família. Quando terminei o processo de criação desse espetáculo, percebi que tinha chegado a minha hora de contar, da minha maneira, uma história. Um desafio importante pra mim, depois de tudo o que havia desenvolvido com a minha companhia. Assim veio ‘Tatyana’, uma história de amor, de amadurecimento, de escolha, que aborda a perda da juventude. Acredito que com ‘Belle’ eu tenha conseguido contar a história de uma maneira que me agrada mais, com uma levada mais livre, mais solta”, pontua Colker.

Trilha Sonora. Um dos pontos fundamentais de um espetáculo de dança costumam ser sua trilha sonora. Em “Belle”, Colker continua a parceria com Berna Ceppas, que assina a direção musical do espetáculo. “Temos uma maneira de trabalhar muito particular. A gente vai construindo a música durante o processo de criação da coreografia. No caso de ‘Belle’, eu persegui muito, sonoridades que representassem esse embate entre razão e instinto, e como essas sonoridades antagônicas podiam funcionar de maneira orgânica no espetáculo. O confronto dessas duas forças foi, para nós, um elemento muito mais forte e relevante do que tentar situar, por exemplo, o local e a época ano em que se passa a história de Kessel. O importante para nós foi encontrar a nossa casa-instinto. E qual seria a música que toca neste lugar, no imaginário de Belle e Séverine”, pontua.

Agenda

O quê. ”“Belle

Quando. Sábado, às 21h, e domingo, às 19h

Onde. Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Plateia I - R$ 90, Plateia II e Superior - R$ 50 (com meia-entrada prevista para cada setor)

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