Conflito no leste da Ucrânia deixou 4.317 mortos desde abril, diz ONU

No total, 466 mil pessoas tiveram que deixar suas casas na região conflagrada; delitos são crimes contra a humanidade, segundo organização

iG Minas Gerais | Da Redação |

O conflito armado entre o governo e separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia deixou 4.317 mortos e 9.921 feridos desde abril, informou a Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) nesta quinta-feira (20).

Em relatório, o órgão informou que desde o início do cessar-fogo entre Kiev e os milicianos, em 5 de setembro, 957 pessoas morreram devido ao conflito. No total, outras 466 mil pessoas tiveram que deixar suas casas na região conflagrada.

O documento ainda denuncia violações de direitos humanos ocorridas nos territórios dominados por separatistas, dentre elas tortura, prisões arbitrárias, desaparições forçadas, morte sumária, trabalho forçado e violência sexual.

Para a ONU, os delitos apresentados no relatório são crimes contra a humanidade. Os observadores também registraram "informações críveis" de que houve movimentação militar na fronteira entre Ucrânia e Rússia.

A maioria das informações de troca de tropas foi registrada por inspetores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (Osce). Kiev e os países ocidentais acusam Moscou de enviar combatentes ao leste ucraniano.

Nesta quinta-feira (20), observadores do órgão foram alvo de disparos de homens armados em Donetsk, área dominada desde abril pelos rebeldes. Devido aos disparos, a missão de observação teve que se retirar.

Para Heidi Tagliavini, diplomata que participa do grupo de observação da Osce, a perspectiva de paz na Ucrânia é sombria, embora acredite que não haja solução fora do cessar-fogo de setembro entre representantes ucranianos e russos.

Disputa 

Para os ucranianos, Moscou violou o acordo por ter continuado a fornecer armas e soldados aos grupos armados, o que é negado pelos russos. Kiev se recusa a negociar com os separatistas, por considerar que isso representaria reconhecê-los.

Mais cedo, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, disse que, se não houver uma solução pacífica para o conflito, os países ocidentais, que o apoiam, aumentarão as sanções contra a Rússia, que teve sua economia prejudicada pelas medidas.

Para ele, os rebeldes colocaram a paz em risco ao fazer eleições no dia 2 nas regiões de Donetsk e Lugansk. Por outro lado, o chanceler russo, Sergei Lavrov, voltou a pedir que os ucranianos negociem diretamente com os separatistas.

Lavrov ainda defendeu que os Estados Unidos não deem assistência militar ao Exército ucraniano, sob risco de desestabilizar a região. O vice-presidente americano, Joe Biden, chega a Kiev para uma visita nesta sexta-feira (21).

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