Anúncio de equipe ministerial quer amenizar desgaste

Presidente montou força-tarefa para preparar ‘agenda positiva’

iG Minas Gerais |

Equipe.  Após   terminar seu mandato ,  Wagner poderá  assumir uma pasta
Marcello Casal JR/ABr
Equipe. Após terminar seu mandato , Wagner poderá assumir uma pasta

BRASÍLIA. Na última terça, em reunião que durou mais de dez horas, no Palácio da Alvorada, a presidente Dilma Rousseff discutiu com auxiliares medidas para desviar o foco da crise da Petrobrás, acelerando mudanças nos ministérios para o segundo mandato.

Preocupada com o impacto das investigações da operação Lava Jato, a presidente montou uma força-tarefa para preparar uma agenda “positiva”.

Dilma chamou para uma conversa reservada os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador da Bahia, Jaques Wagner. Além disso, a presidente teria se encontrado também com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Granja do Torto, notícia confirmada pelo Instituto Lula.

Cotado. Considerado um curinga na nova equipe, o governador da Bahia Jacques Wagner terá papel de destaque na Esplanada. O nome dele é citado para ocupar os Ministérios de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, do Planejamento ou da Justiça.

Dilma vai começar a anunciar os novos ministros a conta-gotas, nos próximos dias, de acordo com assessores. A primeira escolha será a do titular da Fazenda, que substituirá Guido Mantega. Embora assessores tenham dito à presidente que esse fato, por si só, pode ajudar o governo a tirar os holofotes da crise, a avaliação feita nesta quarta, no Alvorada, é que o efeito “equipe nova” não será suficiente para abafar o escândalo.

Nomes. Para quitar a fatura pelo apoio eleitoral do PROS à sua candidatura de reeleição, Dilma quer indicar o governador do Ceará, Cid Gomes, para a pasta da Educação. E, como cota pessoal, estuda dar a pasta da Defesa ao secretário executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas.

Essas seriam uma forma de diluir o impacto dos vazamentos de denúncias de corrupção e propina na Petrobrás, imprimindo no noticiário diário um assunto menos prejudicial ao governo, de acordo com interlocutores da presidente.

A avaliação é a de que Dilma está gastando boa parte de seu capital político conquistado com sua reeleição para blindar sua gestão dos abalos causados pelas delações premiadas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef - dois dos principais alvos da operação Lava Jato. Capital que terá de ser revalidado, especialmente agora com a prisão de parte dos empreiteiros mais importantes do País na mais recente etapa da operação da Polícia Federal.

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