Paola Rettore apresenta trabalho solo “Correntes e Naufrágios”

Oriunda da dança, artista faz fusão de linguagens para compor coreografia com traços biográficos

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


À cada nova performance, Paola conta com margem de improviso
guto muniz / divulgação
À cada nova performance, Paola conta com margem de improviso

Estar à deriva, metáfora pretendida pela multiartista Paola Rettore sintetiza muito a situação vivida por vários artistas experimentais de Belo Horizonte (e por que não dizer do Brasil?). Por outro lado, é combustível para trabalhos que desafiam as lógicas de produção para apostar em pesquisa de linguagem. Assim, ela apresenta a performance “Correntes e Naufrágios”, a partir de hoje, no Memorial Minas Gerais Vale.

Com dramaturgia de Rodrigo Campos, a performance toma seu título como inspiração para falar sobre traços biográficos e rupturas. “A corrente marítima é aquilo que te leva, destino de caminhos preestabelecidos. Podemos pensar nos fluídos que passam, circulam pelo nosso corpo. Já os naufrágios são desvios, a surpresa. Eles são pequenos, falam das rupturas, das interrupções, do não”, comenta Rettore. Ela assinala também outra discussão importante de um tabu na sociedade: “Também exponho violência nesse corpo e a questão do aborto que não é discutida seriamente no Brasil, no mundo. É uma irresponsabilidade da sociedade tratar apenas o tema como uma questão religiosa, quando várias mulheres morrem tentando abortar.”

Formada em dança, Rettore acredita que a dança contemporânea já seja um porta de entrada para o pós-dramático, que flerta diretamente com a performance. “A dança sempre foi pós-dramática porque trabalha com o corpo. Eu não abro mão de dizer que sou bailarina, toda minha estrutura de pensamento vem da dança. Esse limite (entre dança e performance) é tênue mesmo, pela maneira como eu e outro artistas temos trabalhado com a dança pós-moderna, e se aproxima de algumas características de trabalhos mais autorais, da performance”, completa.

O trabalho é o segundo de uma trilogia que tem como mote “pequenas embarcações”. O primeiro foi “Cartas de Amor”, depois “Correntes e Naufrágios” e o último, “O Mapa do Céu”, está em fase final, prestes a ser apresentado. “Acho que será um final mais otimista para essa sequência. O ‘Mapa’ é um norte no meio da imensidão, é um jeito do navegador olhar para as estrelas e se orientar”, finaliza a performer.

Agenda

O quê. “Correntes e Naufrágios”

Quando. Hoje, às 17h30 e 20h30; sábado, às 11h30 e 14h30; domingo, às 11h30

Onde. Memorial Minas Gerais Vale (praça da Liberdade, Savassi)

Quanto. Entrada franca

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