Os encontros deveriam ser regra geral em política, não exceção

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DUKE
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Enfrento o desânimo com a escritora Lya Luft: “Escrevi sobre o desejo (ingênuo) de união, uma vez que estamos todos neste grande navio onde nada funciona bem. De vez em quando, é bom permitir-se um desejo inocente”. Em política, os encontros teriam que ser regra geral, não exceção. Ou a política não é mais a habilidade no trato das relações humanas, com vista, apenas, à promoção do bem comum? O que disse no fim do parágrafo anterior surgiu depois que li os artigos de Sandra Starling (“A possibilidade de diálogo entre o PT e o PSDB”), Oded Grajew (“A frustrada aliança entre PT e PSDB”) e Márcio Garcia Vilela (“Encontros e desencontros: Minas mudou”). Esses artigos foram publicados, pela ordem, em O TEMPO de 12.11.2014, na “Folha de S.Paulo” de 11.11.2014 e em O TEMPO de 13.11.2014. Refiro-me, antes, ao artigo do amigo Márcio Garcia. O tempo passa (ou passamos por ele?), mas (para mim) a vontade de me referir às coisas antigas se torna mais frequente. Recordar o passado nem sempre dá bom resultado, pois são poucos os que – velhos ou jovens – se preocupam com ele. Sem se importar com isso, Márcio fez menção a uma velha “traição” que se aproxima da que foi vítima Aécio Neves nas últimas eleições. Trata-se de episódio que envolveu outro mineiro, o ex-governador, ex-senador e ex-ministro Milton Soares Campos. Milton Campos foi candidato a vice-presidente da República na chapa de Jânio Quadros. O vice, naquela época, era escolhido. Podia-se votar no candidato a presidente de uma chapa e no vice de outra. Em razão disso, João Goulart (Jango), que era vice do general Henrique Duffles Teixeira Lott, foi eleito vice de Jânio. Há quem afirme – como Márcio (e eu) – que, se Milton Campos fosse eleito vice-presidente de Jânio, jamais haveria, em 1964, um golpe de Estado. Já pensou nisso, leitor? Ou Jânio não renunciaria ou, se renunciasse, Milton assumiria o poder e conduziria o Brasil a um bom e seguro porto. Jânio podia ser maluco, mas burro, não. E Minas, que conta com malucos e é, também, insondável, derrotou Milton em Ponte Nova, sua própria terra… Enfim, os encontros, que deveriam ditar a norma, não a exceção, só seriam possíveis se os atores, de modo geral, na sua prática diuturna, se preocupassem com a promoção do bem comum – uma expressão em frangalhos, que a cada dia perde valor ou significado. Os dois partidos PT e PSDB, com ênfase sobre o primeiro (que perdeu a ética que abraçou), não são os mesmos. Folga-me saber que Sandra Starling e Oded Grajew sejam capazes de lamentar o compromisso que, na verdade, nunca valeu – embora eivado de boas intenções, tanto de um quanto de outro. Então, que se lasque o povo?! O que deveria estar na mente de cada um dos nossos homens públicos é a preocupação constante com a arte de bem nos governar. Vou, pois, mais adiante e repito: o ideal é que todos eles, de norte a sul do país, sejam de que partido forem, fossem capazes de cumprir a mais nobre de todas as missões – a promoção do bem comum. Por um triz, estamos às vésperas de um desastre, mas ainda sou um velho sonhador. Só que esse sonho, para se realizar, depende de alguém que, até hoje, não demonstrou que é capaz de se livrar de dois dos piores males humanos – a prepotência e a soberba. O que disse a presidente Dilma Rousseff da Austrália sobre o que aconteceu na Petrobras é de matar! Ou a tarefa que a presidente tem pela frente é areia demais para o seu caminhãozinho? Se for, estamos lascados!

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