Mineiros leem mais que brasileiros, aponta pesquisa

Índice de leitura no Estado é de 3,2 livros nos últimos três meses, contra 2,8 títulos no Brasil; revela o guia “O Livro em Minas Gerais – O que se lê e o que se produz”, sobre o hábito da leitura entre os mineiros

iG Minas Gerais | Da redação |

Nesta quarta-feira (19), durante a quarta edição da Bienal do Livro de Minas, foi promovido pela Câmara Mineira do Livro (CML), um debate sobre o guia “O Livro em Minas Gerais – O que se lê e o que se produz”. O material contém todas as informações de editoras, distribuidoras e livrarias do estado, além de uma pesquisa inédita e minuciosa sobre o hábito da leitura entre os mineiros. Entre os dados apurados está o índice de leitura em Minas Gerais, que é de 3,2 livros por nos últimos três meses, superando o índice brasileiro, equivalente a 2,8 livros no período. Participaram do encontro a presidente da Câmara Mineira do Livro (CML), Rosana Mont’Alverne; o diretor da CML e organizador do estudo, Zulmar Wernke; a pesquisadora da Data Cultura, responsável pelo levantamento, Marta Procópio; e o proprietário da Rede Leitura, Marcus Teles.   O estudo apresentado no evento usou como base os hábitos de leitura detectados em Belo Horizonte e em oito cidades polo e teve como objetivo compreender a prática da leitura dos mineiros não só do ponto de vista dos leitores, mas também dos tipos e partes de livros. “Muitas vezes a pessoa lê de três a cinco livros ao mesmo tempo, seja na escola ou na faculdade ou pelo hábito de gostar de leituras diferentes, principalmente impressos e outros suportes como jornais e revistas. Livros nem sempre são a leitura principal”, disse a pesquisadora. Ela destacou, ainda, o aumento expressivo de textos na internet e de livros eletrônicos.   Em Belo Horizonte e nas oito cidades polo pesquisadas, o índice de leitura, que inclui livros ou parte de livros, de acordo com Marta, é mais alto do que a média em Minas Gerais e no Brasil. Entre as cidades mineiras com maior índice de leitura estão Poços de Caldas, no sul de Minas, e Juiz de Fora, na Zona da Mata. “As cidades que têm um alto índice de leitura costumam ter mais universidades e equipamentos culturais como cinema, teatro e centros de cultura”, explicou Marta Procópio. Em contrapartida, cidades que não têm livrarias e bibliotecas têm um índice de leitura muito baixo. “Com exceção de Juiz de Fora e Poços de Caldas, metade da população mineira não lê nenhum livro. Em Governador Valadares, por exemplo, 60% da população ou não lê ou lê apenas até um livro por ano. Essas regiões precisam de um grande trabalho para melhorar o índice de leitura”.   Também foi destacado que o percentual de pessoas que lêem mais de 10 livros por ano é alto. “Se a pessoa tem o hábito da leitura, é comum que leia muito, incluindo livros inteiros, partes de livros ou textos na internet”, relatou. O guia “O Livro em Minas Gerais” aponta que as mulheres lêem mais do que os homens. A pesquisa mostra, também, que os povos de etnia branca lêem mais do que os negros, pardos e amarelos. A maioria das pessoas diz não gostar de ler por falta de tempo e de paciência ou por preferir outro tipo de entretenimento. Dinheiro não é o problema. “É um mito afirmar que livro é caro no Brasil”, arrematou. Os dados mostram que os principais concorrentes da leitura, incluindo jornais e revistas, são televisão, rádio e internet/redes sociais, sendo os dois últimos suportes respectivamente o quinto e o sexto no ranking das práticas culturais de leitura mais importantes e que tendem a aumentar.   Zulmar Wernke, diretor da Câmara Mineira do Livro, parabenizou o excelente trabalho e ressaltou a importância de se trabalhar as regiões onde o índice de leitura é baixo. Segundo ele, em Minas Gerais existem 77 editores de livros, 56 distribuidoras e 371 livrarias. “Em 2012 havia 680 livrarias. Hoje são 371. Na minha opinião, essa redução se deve aos critérios aplicados. Avaliamos aspectos com a multiplicidade, diversidade, entre outros critérios para distinguirmos o que é uma livraria e o que não é”, disse.   Marcus Teles, proprietário da Rede Leitura, relatou que as livrarias médias possuem cerca de 30 mil títulos e 60 mil livros e que a média de títulos das livrarias maiores é de 60 mil títulos e 120 mil livros. Em relação ao e-book, Marcus disse que apenas 4% das distribuidoras comercializam livro eletrônico. “O livro digital começou a ser comercializado mais fortemente em 2012 com a chegada da Amazon, que domina dois terços do segmento. Atualmente, o número de e-books no mercado ainda é incipiente. O livro eletrônico não substituirá o livro impresso”, finalizou.

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