Menino de 6 anos consegue direito de importar canabidiol em Minas

Criança sofre de paralisia cerebral resultante de complicações no parto e já chegou a ter 70 convulsões no mesmo dia

iG Minas Gerais | Camila Bastos |

Editoria de arte
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No mês em que faz um ano que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitiu a primeira importação de canabidiol – composto extraído da maconha – para tratamento de uma menina de 6 anos, em Brasília (DF), outra criança, desta vez um menino de Minas, conseguiu o direito de importar o remédio. Conforme liminar obtida na última segunda-feira pela Defensoria Pública do Estado, o tratamento de João Gabriel, 7, morador de Uberlândia, no Triângulo, deve ser imediatamente custeado pelo Estado.

João Gabriel sofre de paralisia cerebral resultante de complicações no parto. “Ele tem convulsões, não anda, não fala, perdeu a visão e a audição, e se alimenta por uma sonda”, relata a mãe, Kerlin de Oliveira Marques Vidal, 36. Ela conta que há menos de um mês, depois de tentar todos os medicamentos contra convulsões disponíveis, ela e o marido começaram a medicar o filho com doses importadas ilegalmente dos Estados Unidos – segundo eles, uma seringa da substância, a quantidade necessária para um mês de tratamento, custa até R$ 1.500. Desde então, é possível notar diferenças significativas na criança. “Ele tinha cerca de 70 crises de convulsões por dia, agora tem 15”, diz a mãe, que largou a área de comércio exterior para cuidar do menino.

A autorização da Anvisa ocorreu em 21 de outubro. Por assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado de Saúde informou que a compra do medicamento está sendo providenciada.

Pioneirismo

Desde o começo do ano, outros 15 famílias de Minas foram autorizadas pela Anvisa a importar o remédio. Hoje, outras duas ainda aguardam análise da agência.

Os pais da menina Anny Fischer, 7, primeira a conseguir a importação, comemoram as melhoras da filha. “Ela era como uma boneca de pano, não reagia nem à dor. Outro dia eu a chamei e ela respondeu me olhando fundo nos olhos. Só quem tem filho especial pode entender”, conta o pai, Norberto Fischer.

Discussões

Desde esta quarta, o Conselho Federal de Medicina se reúne em Brasília para fazer, entre outros assuntos, uma nova análise da resolução do órgão sobre o uso do canabidiol para tratamentos de doenças como epilepsias e esquizofrênias intratáveis, aliado a remédios convencionais.

O assunto também foi debatido segunda-feira, na Câmara, quando o presidente substituto da Anvisa, Ivo Bucaresky, sinalizou que a agência estuda a regulamentação do canabidiol. “Não há evidências na literatura que a substância cause dependência, ao contrário da maconha, ponderou 

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