Farmacêuticos protestam na praça Sete contra MP-653/2014

Cerca de cem profissionais saíram em passeata pelo centro de BH; para diretor do Sindicato, medida é como a jabuticaba, "é característica, só existe aqui no Brasil"

iG Minas Gerais | Gustavo Lameira |

Farmacêuticos de Minas Gerais se reuniram nesta quarta-feira (19) em protesto contra a Medida Provisória (MP) n° 653, de agosto de 2014, que prevê que farmácias classificadas como pequenas e microempresas poderão funcionar sem a presença de um farmacêutico.

O ato aconteceu pontualmente às 12h30 em Belo Horizonte e outras cidades de porte médio do Estado, como Ouro Preto, Varginha, Viçosa, Montes Claros e Juiz de Fora.

Na capital, cerca de cem profissionais se concentraram no quarteirão fechado da rua Rio de Janeiro, saíram em passeata com faixas e cartazes pela avenida Afonso Pena, em direção à praça da rodoviária, e depois retornaram à praça Sete. O grupo ocupou uma faixa da pista durante o trajeto, deixando o trânsito lento na via. A BHTrans, no entanto, não tem registro da manifestação.

Conforme o diretor do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais e vice-presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, Rilke Novato Públio, os manifestantes passaram por diversas farmácias e receberam apoio contra a MP tanto de colegas de profissão como de proprietários dos estabelecimentos. "De imediato, nos tivemos a adesão da população, que não concorda em não ter o auxílio fixo de um farmacêutico no balcão. A relação estabelecida entre as pessoas e esse profissional é das mais acessíveis, porque as farmácias estão sempre ali, de portas abertas", defendeu.

O tema divide opiniões. Para a categoria, a MP-653/2014 vai contra conquistas recentes, como a Lei nº 13.021, que diz que o farmacêutico é o único com qualificação para proteger a saúde dos clientes. Já parte dos comerciantes, alega não ter condições financeiras de manter esse profissional em tempo integral.

"Outros profissionais, como médicos, psicólogos e enfermeiros, que passavam pela rua no momento da passeata, também nos apoiaram, e entendem a nossa causa. Essa medida provisória é como a jabuticaba, é característica, só existe aqui no Brasil", finalizou Rilke.

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